Nutrólogo explica como adotar uma alimentação saudável em 2026

Nutrólogo explica como adotar uma alimentação saudável em 2026

🕓 Última atualização em: 13/01/2026 às 08:50

Com a chegada de um novo ano, melhorar a alimentação aparece entre as resoluções mais frequentes dos brasileiros. Apesar da boa intenção, transformar esse objetivo em hábitos consistentes ainda é um desafio para grande parte da população, especialmente diante da disseminação de modismos alimentares e informações sem respaldo científico.

Segundo especialistas, construir uma dieta equilibrada exige escolhas conscientes e sustentáveis, baseadas em evidências, e não em soluções rápidas ou promessas milagrosas amplamente divulgadas nas redes sociais.

Alimentação saudável exige ciência, não modismos

A ampla oferta de produtos ultraprocessados, aliada à desinformação digital, dificulta a adoção de hábitos alimentares adequados. Para o médico nutrólogo Celso Cukier, do Hospital Israelita Albert Einstein, mudanças duradouras no estilo de vida precisam ser fundamentadas na ciência.

De acordo com o especialista, dietas extremamente restritivas ou tendências populares costumam gerar resultados temporários e podem trazer riscos à saúde quando seguidas sem orientação profissional.

Priorizar alimentos in natura é o primeiro passo

O Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, recomenda que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da alimentação diária. Entram nessa categoria frutas, verduras, legumes, grãos, raízes, tubérculos, leite, ovos e carnes.

Esses alimentos fornecem nutrientes essenciais, como fibras, proteínas, vitaminas, minerais e compostos bioativos importantes para o funcionamento do organismo. Já os ultraprocessados — ricos em açúcar, gordura, sódio e aditivos químicos — devem ser evitados.

Estudos associam o consumo frequente desses produtos a maior risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Levantamento do Ministério da Saúde divulgado em 2025 aponta que mais de 60% dos alimentos embalados disponíveis no Brasil são ultraprocessados.

Redes sociais exigem senso crítico

Outro alerta feito por especialistas diz respeito às recomendações divulgadas por influenciadores digitais. Embora tenham grande alcance, muitos não possuem formação em áreas da saúde e acabam disseminando informações equivocadas.

Dietas que excluem grupos alimentares inteiros, como carboidratos, ou incentivam excesso de proteínas e jejuns prolongados podem até gerar perda de peso inicial, mas dificilmente são sustentáveis no longo prazo. Além disso, aumentam o risco do chamado efeito rebote, quando o peso perdido é recuperado — muitas vezes em maior proporção.

Estilo de vida saudável vai além do prato

Manter uma alimentação equilibrada é apenas parte do processo. A prática regular de atividade física, o cuidado com a saúde mental e a hidratação adequada também são fundamentais para o bom funcionamento do organismo.

A atividade física contribui para o controle do peso, previne doenças crônicas e melhora o bem-estar emocional. Já a ingestão adequada de água auxilia na digestão, no transporte de nutrientes e na regulação da temperatura corporal.

A importância do acompanhamento profissional

A busca por resultados rápidos tem levado muitas pessoas ao uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento, o que pode provocar efeitos colaterais graves. Por isso, a orientação médica é indispensável antes de qualquer intervenção desse tipo.

Segundo Cukier, existem tratamentos eficazes que podem auxiliar no controle do peso, mas eles devem ser utilizados como parte de um conjunto de estratégias, e não como solução isolada. O acompanhamento com nutrólogo ou nutricionista permite personalizar a alimentação, ajustar suplementações e evitar práticas perigosas.

A orientação profissional funciona como um filtro contra modismos alimentares e garante que as escolhas feitas ao longo de 2026 sejam seguras, eficazes e sustentáveis.

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