A agência reguladora dos Estados Unidos aprovou uma nova forma de administração do Wegovy, medicamento à base de semaglutida amplamente utilizado no tratamento da obesidade. A partir da autorização, o fármaco poderá ser consumido também em comprimidos, além das tradicionais injeções.
O anúncio foi feito pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelo desenvolvimento do medicamento, após aval da Food and Drug Administration (FDA).
Segundo a empresa, o comprimido do Wegovy será administrado em dose única diária e apresenta eficácia semelhante à versão injetável já disponível no mercado. A novidade deve facilitar o acesso ao tratamento para pacientes que têm resistência ao uso de injeções.
Em comunicado oficial, o presidente e diretor-executivo da Novo Nordisk, Mike Doustdar, destacou que a aprovação representa um avanço importante ao oferecer uma alternativa prática para a perda de peso.
Medicamentos GLP-1 ganham espaço no combate ao sobrepeso
O Wegovy faz parte de uma nova geração de medicamentos conhecidos como agonistas do GLP-1, substâncias que atuam na regulação do apetite e do metabolismo. Inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses fármacos passaram a ser amplamente utilizados também no controle do peso corporal.
Entre os mais conhecidos estão Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que ganharam popularidade na última década devido aos resultados expressivos em pacientes com obesidade.
Indicação do comprimido inclui obesidade e comorbidades
De acordo com a farmacêutica, a versão oral do Wegovy foi autorizada para adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a pelo menos uma comorbidade, como doenças cardiovasculares ou outras condições relacionadas ao excesso de peso.
A expectativa é que a nova apresentação amplie o número de pessoas em tratamento, especialmente aquelas que evitam terapias injetáveis.
Entidades de saúde celebram a decisão da FDA
A aprovação foi comemorada pela Obesity Care Advocacy Network, organização norte-americana que atua na defesa de pessoas com obesidade. Para a entidade, a liberação do comprimido representa um avanço relevante no cuidado com uma condição considerada crônica.
A organização também ressaltou que a alternativa oral pode reduzir barreiras financeiras e psicológicas para o início do tratamento.
Preço mais acessível pode ampliar adesão ao tratamento
Em novembro, a Novo Nordisk firmou um acordo com o governo dos Estados Unidos prevendo a oferta da versão em comprimidos por valores a partir de 150 dólares mensais, quantia significativamente inferior ao custo atual das versões injetáveis.
Atualmente, medicamentos como Ozempic e Zepbound podem ultrapassar 1.000 dólares por mês no mercado norte-americano, o que limita o acesso de muitos pacientes.A empresa não divulgou o preço final do produto, mas informou que pretende iniciar a comercialização da versão oral do Wegovy em janeiro de 2026.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um passo histórico recentemente ao atualizar suas diretrizes sobre o tratamento da obesidade, passando a recomendar o uso de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 (como a semaglutida, presente no Ozempic e Wegovy).
O que são os medicamentos GLP-1?
Esses fármacos imitam um hormônio natural chamado glucagon-like peptide-1. No corpo, eles atuam em duas frentes principais:
- No cérebro: Aumentam a sensação de saciedade e reduzem os pensamentos intrusivos sobre comida (“fome cerebral”).
- No estômago: Lentificam o esvaziamento gástrico, fazendo com que a pessoa se sinta cheia por mais tempo.
A obesidade passou a ser tratada como uma doença crônica e complexa, e não apenas uma “falta de força de vontade”. A recomendação veio após evidências científicas mostrarem que:
- A perda de peso com GLP-1 pode chegar a 15% ou 20% do peso corporal.
- Houve redução drástica em riscos cardiovasculares (infartos e AVCs) em pacientes que utilizaram a medicação.
No Brasil, a Anvisa já aprovou medicamentos como o Wegovy especificamente para obesidade. A recomendação da OMS serve como pressão para que o SUS (Sistema Único de Saúde) avalie a incorporação dessas tecnologias para casos de obesidade mórbida ou pacientes com comorbidades graves.



