Uma mulher foi presa em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, após ser flagrada com canetas emagrecedoras e outros produtos contrabandeados enquanto utilizava um carro oficial da Secretaria Municipal de Saúde destinado ao transporte de pacientes para Curitiba. Segundo as autoridades, ela pretendia levar os itens até a capital do estado, onde seriam revendidos. O nome da detida não foi divulgado.
A prisão ocorreu no domingo (7), depois que servidores da própria secretaria desconfiaram de que pessoas estariam usando o transporte público para levar mercadorias vindas ilegalmente do Paraguai. A suspeita foi repassada à Guarda Municipal, que realizou a abordagem do veículo e vistoriou as bagagens dos passageiros.
Durante a fiscalização, os agentes localizaram 77 ampolas de medicamentos, 48 canetas injetáveis para emagrecimento e 16 celulares. Conforme a Secretaria de Segurança Pública, os produtos não eram de uso pessoal e tinham finalidade comercial.
“Recebemos denúncias sobre o uso irregular dos veículos da prefeitura para transporte de mercadorias ilícitas. A abordagem confirmou que uma passageira estava com celulares e canetas de emagrecimento”, declarou Ricardo Magagin, secretário de Segurança Pública do município.
A mulher foi conduzida à delegacia e poderá responder por contrabando, fraude e uso irregular de transporte público destinado à área da saúde. Os agonistas de GLP-1 formam um grupo de medicamentos utilizados principalmente no controle do diabetes tipo 2, mas nos últimos anos também passaram a ser amplamente empregados para redução de peso. Esses fármacos reproduzem a ação do hormônio GLP-1, naturalmente liberado no intestino após as refeições, contribuindo para o equilíbrio metabólico e para o controle da glicose no sangue.
Como agem no organismo
Os agonistas de GLP-1 atuam estimulando efeitos que o próprio corpo já realiza, porém de forma intensificada. Entre as principais ações estão:
- Estímulo à produção de insulina, o que favorece a redução da glicemia;
- Diminuição do apetite e aumento da sensação de saciedade;
- Retardo no esvaziamento gástrico, prolongando o tempo de digestão e a ausência de fome;
- Redução da liberação de glucagon, hormônio que eleva o açúcar no sangue.
Originalmente, essa classe era destinada ao tratamento exclusivo de pacientes com diabetes tipo 2. Contudo, com o avanço dos estudos clínicos, vários desses medicamentos foram aprovados também para combate à obesidade, especialmente em casos onde a dieta e a atividade física não produziram resultados suficientes.
Principais tipos disponíveis no mercado
Entre as formulações mais utilizadas estão:
- Semaglutida (Ozempic e Wegovy)
- Liraglutida (Saxenda e Victoza)
- Tirzepatida (Mounjaro e Zepbound, com ação adicional sobre o receptor GIP)
- Dulaglutida (Trulicity)
- Exenatida (Byetta e Bydureon)
Possíveis efeitos adversos
Apesar da eficácia, o uso pode provocar reações indesejadas em alguns pacientes, como:
- náuseas e episódios de vômito
- dores abdominais
- alterações intestinais, como diarreia ou prisão de ventre
- perda de apetite intensa
- risco raro de pancreatite
Por esses motivos, o acompanhamento médico é indispensável.
Popularização e polêmicas
O crescimento do uso das chamadas “canetas de GLP-1” impulsionou a procura por emagrecimento rápido, mas também aumentou os casos de uso irregular, contrabando e falsificação, especialmente envolvendo produtos sem registro sanitário. A Anvisa e órgãos de vigilância têm reforçado campanhas de alerta para minimizar riscos à saúde e combater o comércio ilegal.
No dia 20 de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da fabricação, venda, importação, divulgação e utilização de diversos medicamentos agonistas de GLP-1 — popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras — que não possuem registro sanitário no Brasil.
A decisão inclui os seguintes produtos:
- T.G. 5 (RE 4.030)
- Lipoless (RE 3.676)
- Lipoless Éticos (RE 4.641)
- Tirzazep Royal Pharmaceuticals (RE 4.641)
- T.G. Indufar (RE 4.641)
A medida foi tomada diante do aumento da comercialização clandestina e do uso indiscriminado dessas substâncias, muitas vezes anunciadas em redes sociais sem garantia de segurança ou eficácia.
A ausência de registro no Brasil impede o controle sobre efeitos adversos, além de dificultar ações regulatórias em casos de risco à saúde. Medicamentos sem avaliação da Anvisa só podem ser importados para uso pessoal — e, mesmo assim, apenas com prescrição médica e autorização específica. Com a proibição, porém, a entrada desses itens no país fica totalmente vedada.
Além disso, o órgão alerta que nenhum medicamento pode circular com bula em idioma estrangeiro, já que isso aumenta o risco de erros no uso e dificulta a fiscalização contra falsificação e adulteração.



