Um novo levantamento do Panorama da Saúde Mental 2025, conduzido pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, revela que as mudanças climáticas estão afetando diretamente o bem-estar emocional dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 42% da população afirma que já sofreu abalos psicológicos em razão da crise ambiental. Além disso, três em cada quatro pessoas (74,3%) dizem ter vivenciado algum evento climático extremo, como enchentes, queimadas, tempestades ou ondas de calor.
O que é ecoansiedade?
O termo ecoansiedade descreve o sentimento de angústia, medo e impotência diante das ameaças climáticas e ambientais. De acordo com o estudo, 58% dos brasileiros relatam sintomas de preocupação intensa ao pensar nos riscos das mudanças climáticas. Em muitos casos, essa ansiedade se manifesta como insônia, queda de produtividade no trabalho e dificuldades de relacionamento.
Embora não seja considerada uma doença, a ecoansiedade é um reflexo da crescente percepção sobre a gravidade da crise ambiental. “As mudanças climáticas não são apenas uma questão ecológica, mas também um desafio humano e social”, afirma Maria Fernanda Quartiero, diretora-presidente do Instituto Cactus. Ela destaca que perdas materiais e o medo de novos desastres naturais impactam fortemente a estabilidade emocional das famílias brasileiras.
Índice de saúde mental cai entre quem sente os efeitos do clima
O estudo utiliza o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM), que mede o bem-estar psicológico com pontuação de 0 a 1.000. Entre as pessoas que percebem os impactos das mudanças climáticas, o índice médio foi de 596 pontos, contra 744 entre quem não identifica esses efeitos — uma diferença significativa que evidencia o peso da crise ambiental na saúde mental da população.
Mulheres e idosos são os mais afetados
As mulheres lideram as estatísticas de preocupação climática: 44% afirmam pensar diariamente sobre o tema, em comparação a 28% dos homens. Além disso, 47% delas sentem ansiedade relacionada à responsabilidade de contribuir para soluções ambientais.
Entre os idosos, quase metade (49,7%) demonstra preocupação diária com o aquecimento global — proporção que cresce de forma contínua com a idade.
Segundo Bruno Ziller, gerente executivo do Instituto Cactus, a sobrecarga emocional feminina e o olhar cuidadoso sobre as futuras gerações explicam esse recorte: “As mães costumam se mostrar mais aflitas com o futuro do planeta e dos filhos”.
Crise climática e financeira ampliam o estresse emocional
O relatório também aponta que fatores socioeconômicos continuam sendo grandes gatilhos para a piora da saúde mental. 83% dos entrevistados disseram se preocupar com questões financeiras nas duas semanas anteriores à pesquisa. Além disso, 72% dormiram menos de seis horas em pelo menos uma noite recente, e 64% relataram cansaço constante durante o dia.
De forma geral, o ICASM nacional caiu para 667 pontos em 2025, uma queda de 15 pontos em relação ao ano anterior — sinal de alerta sobre o deterioramento do bem-estar emocional dos brasileiros.VER Nova NR-01: atualização amplia foco em saúde mental e redefine a segurança no trabalho no Brasil



