Paisagem urbana ao entardecer representa cidades brasileiras com baixa qualidade de vida apontadas em estudo nacional

Estudo revela as 10 piores cidades para morar no Brasil

🕓 Última atualização em: 04/01/2026 às 16:03

Um estudo fundamentado no Índice de Progresso Social (IPS) — metodologia desenvolvida pelo professor Michael Porter, da Universidade de Harvard — identificou as dez cidades com pior qualidade de vida no Brasil em 2025. O levantamento foi elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Os dados expõem desigualdades estruturais profundas e apontam municípios marcados por isolamento geográfico, ausência de serviços públicos essenciais e forte pressão ambiental, especialmente na região da Amazônia Legal.

Como funciona o Índice de Progresso Social

O IPS avalia 57 indicadores sociais e ambientais, distribuídos em áreas como saúde, educação, saneamento, segurança, direitos individuais e qualidade do meio ambiente. A pontuação varia de 0 a 100 e se baseia em resultados concretos, não em volume de investimentos ou promessas governamentais.

Segundo o Imazon, o índice permite identificar com precisão onde o poder público falha e quais territórios exigem ações urgentes e estruturais. O relatório também destaca que crescimento econômico isolado não assegura bem-estar social, ao comparar municípios com grande arrecadação a cidades menores que avançaram por meio de gestão eficiente.

Amazônia concentra as piores colocações do ranking

As últimas posições do ranking são ocupadas exclusivamente por municípios dos estados de Roraima e Pará, regiões que enfrentam desafios históricos relacionados à regularização fundiária, garimpo ilegal, violência, desmatamento e baixa presença do Estado.

Ranking: as 10 piores cidades para morar no Brasil segundo o IPS 2025

1º — Uiramutã-Localizada no extremo norte do país, na fronteira com a Venezuela, a cidade enfrenta isolamento severo, economia de subsistência e carência quase total de serviços básicos.

2º — Alto Alegre-Apresenta graves déficits em saúde e saneamento, além de conflitos recorrentes em áreas indígenas e pressão ambiental constante.

3º — Trairão-Conhecida por altos índices de criminalidade rural e crimes ambientais, sofre com infraestrutura precária e fornecimento irregular de energia.

4º — Bannach-Com população reduzida, registra ausência de investimentos públicos e serviços básicos praticamente inexistentes nas áreas de saúde e educação.

5º — Jacareacanga-Situada próxima a áreas de garimpo ilegal, convive com degradação ambiental, violência e oferta limitada de serviços públicos essenciais.

6º — Cumaru do Norte-Disputas fundiárias e dependência da pecuária comprometem o desenvolvimento social e econômico do município.

7º — Pacajá-Registra altos índices de violência urbana e rural, além de deficiência em saneamento básico e rede educacional insuficiente.

8º — Uruará-Sofre com desmatamento acelerado, conflitos por terra e baixa oferta de serviços públicos essenciais.

9º — Portel-Com acesso predominantemente fluvial, enfrenta dificuldades logísticas, precariedade em saúde e educação e poucas oportunidades econômicas.

10º — Bonfim-Localizada na fronteira com a Guiana, apresenta infraestrutura urbana deficiente, economia frágil e alta dependência de recursos federais.

Índice serve como alerta para políticas públicas

O IPS 2025 reforça que a desigualdade no Brasil possui caráter territorial e estrutural. De acordo com o relatório, o índice funciona como um verdadeiro mapa de urgências, ao evidenciar áreas onde a ausência do Estado e os crimes ambientais se sobrepõem.

Ao tornar públicos esses dados, o estudo amplia a pressão sobre governos e gestores e destaca a necessidade de políticas públicas de longo prazo, especialmente na Amazônia Legal, onde os desafios sociais e ambientais seguem interligados.

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