O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste domingo (4) que o governo norte-americano não pretende assumir a administração direta da Venezuela, mas seguirá utilizando o bloqueio do setor petrolífero como principal instrumento de pressão política sobre o país.
A declaração ocorre um dia após o presidente Donald Trump afirmar que os Estados Unidos poderiam “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Bloqueio do petróleo segue como principal instrumento
Em entrevista ao programa Face the Nation, da rede CBS, Rubio explicou que Washington continuará aplicando a chamada “quarentena do petróleo”, um conjunto de sanções que já vinha sendo imposto a navios-tanque e empresas ligadas ao setor energético venezuelano antes da prisão de Maduro.
Segundo o secretário, o objetivo da medida é forçar mudanças estruturais no país, especialmente na gestão da indústria petrolífera e no combate ao narcotráfico. Para Rubio, esse é o alcance real do “controle” mencionado por Trump em declarações anteriores.
“O bloqueio permanece como forma de pressionar por transformações que beneficiem a população venezuelana e interrompam atividades ilícitas, como o tráfico de drogas”, afirmou.
Reações internacionais à prisão de Maduro
A detenção de Nicolás Maduro provocou reações imediatas de aliados históricos do governo venezuelano. A Coreia do Norte classificou a ação dos Estados Unidos como uma “grave violação da soberania” e acusou Washington de praticar um ato de arbitrariedade internacional.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano afirmou que a prisão teve consequências “catastróficas” para a estabilidade regional e reforçou críticas à política externa dos EUA.
China cobra libertação imediata
A China, uma das principais parceiras políticas e econômicas da Venezuela, também se manifestou. O Ministério das Relações Exteriores chinês exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa, alegando violação do direito internacional.
Pequim defendeu que a crise venezuelana seja resolvida por meio de diálogo e negociação, reiterando sua posição contrária a interferências externas nos assuntos internos do país sul-americano.
Maduro é levado para centro de detenção em Nova York
Nicolás Maduro foi transferido para um centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado (3), após ser capturado por autoridades norte-americanas em Caracas. Antes disso, foi levado à sede da DEA, onde passou por procedimentos formais de custódia.
Imagens do líder venezuelano escoltado por agentes federais foram divulgadas em perfil oficial da Casa Branca nas redes sociais.
Justiça dos EUA acusa Maduro por narcotráfico
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado em um tribunal federal de Nova York. Ele e a primeira-dama Cilia Flores, também detida, foram formalmente acusados de:
- Conspiração para narcoterrorismo;
- Conspiração para importação de cocaína;
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração para posse de armas de uso restrito.
Futuro político da Venezuela segue indefinido
Em coletiva recente, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos avaliam os próximos passos em relação à Venezuela e que um grupo de transição está sendo formado para acompanhar o processo político, sem detalhar prazos ou o formato dessa atuação.
A declaração de Rubio, no entanto, sinaliza uma tentativa de reduzir tensões diplomáticas, reforçando que Washington não pretende assumir o governo do país, mas manterá forte pressão econômica e política sobre Caracas.



