Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento sobre política externa e desafios diplomáticos do Brasil no início de 2026.

Lula inicia 2026 com balanço misto na diplomacia brasileira

🕓 Última atualização em: 04/01/2026 às 06:59

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou 2025 com um saldo predominantemente positivo na política externa, marcado por avanços em frentes estratégicas e, ao mesmo tempo, por impasses relevantes. A diplomacia brasileira obteve conquistas importantes, como a redução de sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos e a recomposição do diálogo com a Ucrânia, mas também enfrentou desgastes com Israel e desafios no cenário sul-americano logo no início de 2026.

Resultados da política externa brasileira em 2025

Ao longo de 2025, o governo Lula lidou com um contexto internacional complexo, atravessado por conflitos armados, disputas comerciais e tensões geopolíticas. As ações diplomáticas brasileiras estiveram diretamente relacionadas a temas econômicos, segurança internacional e posicionamentos em organismos multilaterais.

Um dos principais embates do período foi a escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além de crises pontuais com governos europeus e do Oriente Médio.

Reaproximação com Ucrânia durante a Assembleia da ONU

O mês de setembro marcou uma inflexão importante na relação entre Brasil e Ucrânia. Durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Lula se reuniu com o presidente Volodymyr Zelensky, encontro que contribuiu para reduzir atritos acumulados desde 2023.

A relação bilateral havia se deteriorado após gestos interpretados por Kiev como alinhamento brasileiro à Rússia, incluindo a presença de Lula em eventos oficiais em Moscou. O clima de desconfiança levou, inclusive, à suspensão de contatos diretos entre os dois líderes.

Após a reunião, Zelensky declarou publicamente que a conversa foi produtiva e elogiou o posicionamento do Brasil em defesa de um cessar-fogo no conflito no Leste Europeu.

Recuo dos Estados Unidos na guerra tarifária

Ainda em Nova York, Lula teve um contato informal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que abriu caminho para negociações diplomáticas mais amplas entre os dois países.

Dias depois, os presidentes conversaram por telefone e, na sequência, realizaram uma reunião bilateral durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. O encontro tratou diretamente das tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros.

Avanços nas negociações econômicas

A partir das tratativas diplomáticas, intermediadas pelos chanceleres Mauro Vieira e Marco Rubio, Washington anunciou, em novembro, a suspensão da tarifa recíproca de 10% sobre itens como café, carne bovina e frutas.

Poucos dias depois, o governo norte-americano também retirou uma sobretaxa adicional de 40% que ainda afetava setores estratégicos da economia brasileira.

Fim das sanções contra Alexandre de Moraes

Outro gesto relevante ocorreu em dezembro, quando o Departamento do Tesouro dos EUA retirou o ministro Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky, decisão que incluiu também sua esposa, Viviane Barci.

A medida foi interpretada como sinal de distensão nas relações bilaterais, após meses de pressão diplomática envolvendo decisões do Judiciário brasileiro.

Crise prolongada nas relações com Israel

Em contraste com os avanços em outras frentes, a relação entre Brasil e Israel permaneceu deteriorada ao longo de 2025. Desde 2024, Lula é considerado persona non grata pelo governo israelense, comandado por Benjamin Netanyahu.

As críticas do presidente brasileiro à ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, classificadas por ele como genocídio, foram duramente rebatidas por Tel Aviv, que acusou o Brasil de adotar uma postura pró-Hamas.

Impactos diplomáticos e rebaixamento das relações

O apoio formal do Brasil à ação movida contra Israel na Corte Internacional de Justiça aprofundou a crise. Como consequência, houve um esfriamento institucional nas relações diplomáticas, incluindo o adiamento da nomeação de um novo embaixador israelense em Brasília.

Posteriormente, o próprio governo israelense retirou o pedido de envio do diplomata, oficializando o rebaixamento do nível das relações bilaterais.

Acordo Mercosul-União Europeia segue indefinido

Outro tema sensível da política externa foi o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Embora as negociações tenham sido concluídas no fim de 2024, a assinatura do pacto não avançou em 2025.

A resistência de países como a França, liderada por Emmanuel Macron, adiou a formalização do acordo para 2026, sobretudo por preocupações com os impactos no setor agrícola europeu.

Novo desafio diplomático: crise na Venezuela

O início de 2026 trouxe um novo foco de tensão para o governo brasileiro. No sábado (3), os Estados Unidos realizaram uma ação militar na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

Lula condenou publicamente a operação, classificando a intervenção como uma violação grave da soberania venezuelana e do direito internacional. Em nota, o presidente brasileiro afirmou que ações dessa natureza representam riscos à estabilidade regional e ao multilateralismo.

O posicionamento reacende preocupações sobre possíveis desgastes na relação entre Brasília e Washington, após um período recente de aproximação diplomática.

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