O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas declarações de forte repercussão internacional ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante encontro realizado em sua residência na Flórida, nesta segunda-feira (29). A reunião marcou o quinto compromisso entre os dois desde o retorno de Trump à Casa Branca.
Durante a conversa com jornalistas, Trump indicou que Netanyahu pode ser beneficiado por um eventual perdão presidencial no processo por corrupção que enfrenta em Israel. Segundo o líder americano, o tema teria sido tratado em diálogo com o presidente israelense, Isaac Herzog, e estaria “em andamento”.
A declaração gerou reação imediata. O gabinete de Herzog afirmou que não há decisão tomada e que qualquer análise sobre o assunto segue em avaliação, sem cronograma definido.
Netanyahu, por sua vez, classificou o encontro como “extremamente produtivo” e voltou a elogiar a relação com Washington. “Nunca houve um aliado como o presidente Trump na Casa Branca”, afirmou o premiê israelense.

Endurecimento do discurso contra o Irã
Trump também elevou o tom contra o Irã, ao advertir que os Estados Unidos poderão realizar novos ataques caso Teerã retome atividades ligadas ao programa nuclear ou amplie sua capacidade de mísseis de longo alcance. De acordo com o presidente, qualquer confirmação nesse sentido resultaria em uma resposta “ainda mais contundente” do que ações anteriores.
O posicionamento ocorre cerca de seis meses após ataques americanos a instalações estratégicas iranianas. O governo do Irã, entretanto, nega o enriquecimento de urânio para fins militares e sustenta que permanece aberto a soluções diplomáticas.
Em reação às falas de Trump, o assessor Ali Shamkhani declarou na rede X que qualquer agressão ao país será respondida de forma imediata e severa, destacando que a capacidade defensiva iraniana “não depende de autorização externa”.
Gaza e o futuro do cessar-fogo
A situação na Faixa de Gaza também esteve no centro das discussões. Trump afirmou que pretende acelerar a implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, embora tenha reiterado que o desarmamento do grupo palestino é condição essencial.
O plano, mediado pelos Estados Unidos, segue fragilizado por divergências entre Israel, países árabes e setores da própria administração americana. Desde outubro, as partes trocam acusações de violações recorrentes do acordo.

Trump será homenageado com o Prêmio Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será homenageado com o Prêmio Israel (Israel Prize), conforme anunciado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em 29 de dezembro de 2025.
Esta homenagem é histórica e carrega um forte simbolismo político e diplomático. Aqui estão os principais pontos sobre essa honraria:
1. Quebra de Tradição Histórica
O Prêmio Israel é a honraria máxima civil do Estado de Israel, tradicionalmente concedida apenas a cidadãos israelenses que demonstraram excelência em áreas como ciência, artes, cultura e serviços à sociedade.
- Primeiro Estrangeiro: Trump será o primeiro líder estrangeiro não cidadão a receber o prêmio em mais de 70 anos de história da premiação.
- Nova Categoria: Netanyahu anunciou que o prêmio será concedido na categoria de Paz, marcando também a primeira vez que essa categoria específica é utilizada.
2. Motivos da Homenagem
O governo israelense, através do Ministro da Educação Yoav Kisch (responsável pelo prêmio), justificou a escolha baseando-se no papel de Trump em eventos recentes e históricos:
- Libertação de Reféns: O apoio de Trump nas negociações para a libertação de reféns israelenses em Gaza em 2025.
- Combate ao Antissemitismo: Esforços declarados no combate ao preconceito contra judeus.
- Legado Diplomático: Ações de seu primeiro mandato, como o reconhecimento de Jerusalém como capital e os Acordos de Abraão.
- Aliança Estratégica: Netanyahu afirmou que o prêmio reflete o “sentimento esmagador dos israelenses” de gratidão pelo apoio incondicional de Trump.
3. O Contexto Político
O anúncio ocorreu durante uma reunião bilateral na residência de Trump em Mar-a-Lago, Flórida. No encontro, os líderes discutiram a transição para a segunda fase de um plano de cessar-fogo em Gaza e a desmilitarização do Hamas.
- Controvérsia: A indicação gerou debates jurídicos em Israel, uma vez que o regulamento original exige residência ou cidadania israelense. No entanto, o governo alterou as regras em julho de 2025 para permitir a premiação de figuras estrangeiras em casos excepcionais de contribuição ao povo judeu.
- Nobel da Paz: Analistas veem o prêmio israelense como uma forma de validação internacional para Trump, que frequentemente expressa o desejo de receber o Prêmio Nobel da Paz.
A Cerimônia
Trump reagiu dizendo que a honraria foi “surpreendente e muito apreciada”. Ele sinalizou que pretende viajar a Israel para receber o prêmio pessoalmente em 2026, durante as celebrações do Dia da Independência de Israel (Yom Ha’atzmaut), em Jerusalém.
A entrega deste prêmio consolida a imagem de Trump como o presidente americano mais próximo do governo de Netanyahu, fortalecendo a aliança entre os dois líderes em um momento crítico para a geopolítica do Oriente Médio.
Ainda assim, o apoio explícito do presidente americano tende a fortalecer politicamente Netanyahu no cenário interno israelense, em meio a pressões judiciais e eleitorais.



