Manifestações favoráveis ao regime teocrático iraniano foram registradas nesta segunda-feira (12) em Teerã e em outras regiões do país, enquanto protestos contrários ao governo do aiatolá Ali Khamenei continuam a se espalhar por diversas cidades do Irã.
A mobilização ocorre em um contexto de forte instabilidade interna, marcada por uma crise econômica prolongada e por denúncias de repressão violenta contra manifestantes que pedem mudanças políticas e sociais no país persa.
Protestos no Irã entram na terceira semana
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro de 2025 e já são considerados os maiores desde 2022, quando manifestações tomaram as ruas após a morte de Mahsa Amini. A jovem foi detida pela polícia da moralidade por suposto uso inadequado do hijab e morreu enquanto estava sob custódia do Estado, episódio que gerou indignação internacional.
Atualmente, os atos contra o governo iraniano completam 16 dias consecutivos e já foram registrados em pelo menos 187 cidades. A principal motivação apontada por analistas e organizações de direitos humanos é a grave crise econômica, agravada por décadas de sanções internacionais impostas ao país.
Número de mortos e prisões preocupa organizações internacionais
De acordo com a ONG Ativistas de Direitos Humanos do Irã (HRAI), ao menos 646 pessoas morreram em confrontos entre civis e forças de segurança desde o início das manifestações. A organização, com sede em Washington, afirma que a maioria das vítimas é composta por civis.
Segundo o levantamento, 505 mortos eram manifestantes, enquanto 133 pertenciam às forças militares ou de segurança iranianas. Além disso, a repressão estatal já resultou na prisão de aproximadamente 10,7 mil pessoas em todo o país.
Governo convoca manifestações de apoio ao líder supremo
Em resposta à pressão popular, autoridades iranianas convocaram atos em defesa do regime e do líder supremo Ali Khamenei, que governa o Irã desde 1989. As manifestações ocorreram principalmente na capital, Teerã, mas também foram registradas em outras cidades.
A mídia estatal iraniana informou que milhares de pessoas participaram dos protestos pró-governo, mesmo com o país enfrentando um apagão de internet que já ultrapassa 96 horas. O número exato de participantes, no entanto, não foi divulgado oficialmente e não pôde ser verificado de forma independente.
Praça Enghelab concentra apoiadores do regime
Imagens divulgadas pela agência estatal Tasnim mostram uma grande concentração de pessoas na Praça Enghelab, um dos principais pontos de mobilização política no centro de Teerã. Nos registros, manifestantes exibem bandeiras do Irã e cartazes em apoio ao governo teocrático.
Também foram observados gestos e manifestações contrárias a Reza Pahlavi, herdeiro do último xá do Irã. Desde o início da crise, Pahlavi tem utilizado redes sociais para incentivar protestos e greves no país.
Reza Pahlavi surge como principal nome da oposição
Exilado nos Estados Unidos desde a Revolução Islâmica de 1979, Reza Pahlavi é apontado como uma das principais lideranças da oposição iraniana. Aos 65 anos, ele tem declarado publicamente a intenção de retornar ao Irã e participar da construção de um novo governo, caso o regime atual seja derrubado.
A intensificação dos protestos reacendeu expectativas entre seus apoiadores, que veem na instabilidade atual uma oportunidade de mudança política.
Ali Khamenei acusa interferência estrangeira
Após os atos em apoio ao governo, Ali Khamenei afirmou que o Irã enviou um “aviso claro aos políticos americanos”. Segundo o líder supremo, a mobilização popular teria frustrado planos de “inimigos estrangeiros”, que, segundo ele, estariam sendo executados por agentes internos.
Autoridades iranianas acusam os Estados Unidos de financiar ações para desestabilizar o país e criar um cenário de caos que poderia justificar uma eventual intervenção externa. Teerã compara essa possibilidade a operações conduzidas em outros países, como a Venezuela, que resultaram na queda do então presidente Nicolás Maduro.



