Irã registra nova onda de manifestações e tensão política

Irã registra nova onda de manifestações e tensão política

🕓 Última atualização em: 10/01/2026 às 09:41

Uma nova onda de protestos violentos no Irã voltou a colocar o governo do aiatolá Ali Khamenei sob forte pressão interna e externa. As manifestações, iniciadas no fim de dezembro de 2025, têm como principal motivação a grave crise econômica enfrentada pelo país e já resultaram na morte de ao menos 42 pessoas, entre civis e agentes de segurança.

Os atos representam a maior mobilização popular desde 2022, quando protestos se espalharam após a morte da jovem Mahsa Amini, detida por autoridades iranianas sob acusação de uso inadequado do hijab. Desta vez, o foco das manifestações é o aumento do custo de vida e a perda do poder de compra da população.

Crise econômica impulsiona manifestações em várias cidades

De acordo com dados econômicos recentes, o rial iraniano perdeu cerca de 56% de seu valor em relação ao dólar ao longo do último ano. No mesmo período, os preços dos alimentos registraram alta média de 72%, agravando a situação de famílias em todo o país.

Os protestos tiveram início em Teerã, após comerciantes declararem greve em 28 de dezembro, e rapidamente se espalharam para outras regiões. Até o momento, atos contra o governo foram registrados em pelo menos 46 cidades, com forte participação de jovens.

Apesar das reivindicações econômicas, autoridades iranianas passaram a atribuir as manifestações à interferência de atores estrangeiros, acusando principalmente os Estados Unidos de tentar desestabilizar o país.

Khamenei acusa EUA e reage a ameaças de Trump

Em seu primeiro pronunciamento desde o início dos protestos, transmitido pela televisão estatal na sexta-feira (9/1), o aiatolá Ali Khamenei afirmou que grupos com “intenções destrutivas” estariam atuando para agradar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O líder supremo comparou a situação do Irã a intervenções norte-americanas em outros países e acusou Washington de explorar crises internas com interesses estratégicos. As declarações ocorrem após Trump afirmar que os EUA poderiam intervir caso o governo iraniano intensifique a repressão contra manifestantes.

Além da pressão internacional, Khamenei também enfrenta críticas da oposição no exílio. O príncipe herdeiro Reza Ciro Pahlavi, filho do último xá do Irã deposto em 1979, classificou os protestos como o início de uma “revolução nacional” e defendeu a mudança do regime atual.

Mortes, prisões e repressão marcam resposta do governo

Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (Hrana), em 13 dias de manifestações, 42 pessoas morreram, sendo 34 manifestantes, incluindo cinco menores de 18 anos, e oito integrantes das forças de segurança.

O levantamento também aponta que mais de 2,2 mil pessoas foram presas desde o início dos protestos. As informações não foram confirmadas oficialmente pelo governo iraniano, que impôs restrições à internet, dificultando o acesso da população a informações externas.

Mesmo diante do cenário de instabilidade, o aiatolá Ali Khamenei afirmou que não irá recuar e prometeu manter a repressão contra o que chamou de atos de destruição.

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