Balanço do STF: 80% das decisões de 2025 foram individuais

Balanço do STF: 80% das decisões de 2025 foram individuais

🕓 Última atualização em: 21/12/2025 às 07:11

O debate sobre os limites entre os Poderes voltou a ganhar força no fim de 2025. Levantamento divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que mais de 80% das decisões tomadas ao longo do ano foram monocráticas — isto é, assinadas por apenas um ministro, sem análise imediata do plenário ou das turmas.

Os números foram apresentados pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, durante a última sessão judicial do ano, realizada na sexta-feira (19). Apesar da predominância das decisões individuais, o STF registrou crescimento na quantidade de julgamentos colegiados em comparação com 2024.

Panorama da produtividade do STF em 2025

Em um ano marcado por disputas institucionais e temas sensíveis, o Supremo recebeu cerca de 85 mil novos processos e proferiu aproximadamente 116 mil decisões. A distribuição dos julgamentos ficou da seguinte forma:

  • Decisões monocráticas: 80,5%
  • Decisões colegiadas (plenário e turmas): 19,5%

Segundo Fachin, houve um aumento de 5,5% nas decisões coletivas, o que indica um esforço da Corte para ampliar o debate entre os ministros, mesmo diante da alta demanda processual.

Entenda o que são decisões monocráticas no STF

A decisão monocrática ocorre quando o relator resolve o caso de forma individual, conforme autorização do regimento interno do Supremo. Esse tipo de decisão costuma ser adotado em situações específicas, como:

  • Casos urgentes, que exigem liminar imediata para evitar prejuízos irreversíveis
  • Temas com jurisprudência pacificada, quando o entendimento do STF já está consolidado
  • Gestão do volume processual, especialmente em ações repetitivas

Em muitos casos, essas decisões precisam ser posteriormente referendadas pelo colegiado, seja em sessões virtuais ou presenciais.

Congresso reage e tenta limitar poderes individuais dos ministros

O elevado número de decisões monocráticas intensificou o embate entre o Judiciário e o Congresso Nacional. Parlamentares defendem que o uso excessivo desse instrumento concentra poder em um único ministro e pode impactar leis aprovadas pelo Legislativo.

A tensão aumentou em novembro, após uma decisão individual do ministro Gilmar Mendes restringir à Procuradoria-Geral da República (PGR) a legitimidade para pedidos de impeachment contra ministros do STF. A reação na Câmara foi rápida:

  • Avanço na CCJ: A Comissão de Constituição e Justiça aprovou um projeto que restringe liminares individuais
  • Prazo para validação: Pelo texto do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), decisões monocráticas que suspendam leis precisam ser analisadas pelo plenário na sessão seguinte, sob pena de perderem validade
  • Mudança no acesso ao STF: A proposta também impõe regras mais rígidas para que partidos acionem a Corte contra atos do Executivo ou do Legislativo

O projeto segue agora para análise do Senado e deve estar entre os principais temas da agenda política de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *