Brasil acende alerta com novo líder militar dos EUA na região

Brasil acende alerta com novo líder militar dos EUA na região

🕓 Última atualização em: 12/12/2025 às 07:44

A mudança no alto comando militar dos Estados Unidos na América Latina, oficializada nesta sexta-feira (12), acendeu um alerta em Brasília sobre a possibilidade de uma operação norte-americana contra o regime de Nicolás Maduro. O Comando Sul (SouthCom), responsável por todas as operações dos EUA no Caribe, América Central e América do Sul, passará a ser liderado pelo Tenente-Brigadeiro da Força Aérea Evan L. Pettus, substituindo o Almirante Alvin Holsey após apenas 13 meses – um período considerado inusitadamente curto por diplomatas e militares brasileiros.

O governo Lula avalia que a troca, marcada justamente para 12 de dezembro, não é apenas administrativa: pode representar o início de uma postura mais dura de Washington diante da escalada de tensões com Caracas. Pettus é visto como mais alinhado às diretrizes estratégicas da gestão Donald Trump, que vem adotando tom mais assertivo na região.

Por que a troca preocupa o Brasil

O comandante que deixa o cargo foi indicado por Joe Biden e tinha posição contrária a uma intervenção militar direta. Pettus, porém, possui histórico de apoio a ações preventivas e operações de “neutralização de capacidades hostis”, segundo relatórios públicos do próprio SouthCom.

A leitura no Planalto, no Itamaraty e entre oficiais das Forças Armadas brasileiras é praticamente unânime: a substituição aproxima a possibilidade de uma ação militar norte-americana na Venezuela, possivelmente de alcance limitado e com objetivos específicos.

Entre os cenários considerados:

  • Ataques cirúrgicos a sistemas de defesa aérea venezuelanos, especialmente radares, para impedir qualquer retaliação;
  • Operações semelhantes às realizadas pelos EUA no Irã em junho, com o emprego de bombas de penetração profunda contra estruturas militares ou energéticas estratégicas.

Quem é Evan L. Pettus, o novo chefe militar dos EUA para a região

Evan L. Pettus é um dos oficiais mais experientes da Força Aérea norte-americana. Especialista em operações de alta precisão e guerra aérea moderna, ele já comandou unidades responsáveis por ataques eletrônicos, suporte aéreo avançado e integração de sistemas de vigilância e inteligência.

Elementos-chave do seu perfil:

  • Carreira focada em operações ofensivas e projeção de força tática;
  • Experiência com coordenação de ataques conjuntos entre diferentes ramos das Forças Armadas dos EUA;
  • Defensor da doutrina de “resposta imediata” a ameaças consideradas estratégicas no hemisfério;
  • Boa interlocução com o atual Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Sua chegada ao SouthCom é interpretada por analistas como um sinal de que Washington deseja retomar influência direta no Caribe e conter avanços militares e econômicos de potências rivais, como Rússia e Irã, na Venezuela.

Brasil se prepara para possíveis efeitos colaterais

Nos bastidores, o governo brasileiro trabalha com o cenário de que os Estados Unidos conduzam uma operação e deixem o impacto humanitário para os países vizinhos. O principal ponto de atenção é a fronteira em Roraima.

Apesar da estabilidade registrada pela Operação Acolhida nas últimas semanas, autoridades brasileiras projetam:

  • aumento expressivo de fluxo migratório, incluindo civis e militares desertores;
  • risco de entrada de venezuelanos ligados a estruturas de repressão do regime;
  • necessidade de reforço logístico e humanitário em Pacaraima e Boa Vista.

Criminalidade transnacional também preocupa

Outro fator em observação é o avanço de facções criminosas que podem aproveitar um eventual cenário de instabilidade. Organizações brasileiras ligadas ao narcotráfico mantêm conexões com o Tren de Aragua, a maior gangue venezuelana, de forte presença em rotas de tráfico e extorsão.

O temor é que o vácuo temporário de poder ou a desorganização estatal permita a expansão dessas redes criminosas na fronteira e no interior da Venezuela.

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