O senador Weverton Rocha (PDT-MA) está entre os alvos da mais recente etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A ação policial cumpriu 52 mandados de busca e apreensão, além de 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares. Segundo as investigações, o esquema teria atuado entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões aos beneficiários da Previdência Social.
Além do senador, a operação resultou na prisão de Romeu Carvalho Antunes. O pai dele, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, já havia sido detido em setembro, no mesmo inquérito. Também foi preso Eric Fidélis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidélis. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Aldroaldo Portal, foi afastado do cargo e teve a prisão domiciliar decretada.
Trajetória política de Weverton Rocha
Nascido em Imperatriz, no Maranhão, Weverton Rocha Marques de Sousa iniciou sua trajetória política ainda jovem, a partir da militância no movimento estudantil. Durante esse período, integrou entidades de representação nacional, como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), onde alcançou o posto de vice-presidente, passando a ter projeção no cenário político nacional.
A partir dos anos 2000, Weverton ingressou na administração pública, atuando como assessor na Prefeitura de São Luís entre 2000 e 2006. Posteriormente, assumiu a Secretaria Estadual de Esporte e Juventude do Maranhão, cargo ocupado durante o governo de Jackson Lago (PDT), fase em que consolidou sua atuação política no estado.
O ingresso no Congresso Nacional ocorreu em 2012, quando assumiu o mandato de deputado federal, após ter sido eleito suplente em 2010. Reeleito em 2014, permaneceu na Câmara dos Deputados até 2018. Nesse período, adotou posições alinhadas à sua base política, votando contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e se manifestando de forma contrária à reforma trabalhista aprovada em 2017.
Em 2018, Weverton Rocha foi eleito senador da República pelo Maranhão, com o apoio do então governador Flávio Dino. No Senado Federal, passou a integrar a base do governo federal, atuando em temas relacionados a direitos trabalhistas, educação e desenvolvimento regional. Também ganhou visibilidade ao exercer a relatoria de indicações relevantes ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Nas eleições de 2022, o senador disputou o cargo de governador do Maranhão, mas não avançou ao segundo turno. Naquele pleito, Flávio Dino declarou apoio ao então vice-governador Carlos Brandão (PSB), que saiu vitorioso. Após o resultado eleitoral, Weverton manteve seu mandato no Senado e seguiu atuando de forma ativa na política nacional.
Processos e investigações ao longo da carreira
Ao longo de sua trajetória política, o senador foi citado em diferentes investigações, todas negadas por ele. No caso do Projovem Urbano, quando era secretário estadual, Weverton foi investigado por contratações sem licitação. O processo chegou ao STF, que o absolveu, ao entender que não houve dolo nem prejuízo aos cofres públicos.
Outro episódio envolve a reforma do ginásio Costa Rodrigues, em São Luís. Em 2017, ele se tornou réu no STF por supostas irregularidades em licitação e peculato. Posteriormente, o Supremo enviou o caso à Justiça estadual, que encerrou a ação penal em 2022, sem julgamento de mérito.
Mais recentemente, emendas parlamentares atribuídas ao senador foram citadas na Operação Odoacro, que apura suspeitas de fraudes, lavagem de dinheiro e uso indevido de recursos públicos no Maranhão. Segundo a PF, cerca de R$ 34 milhões em emendas teriam sido destinadas a obras executadas por empresas investigadas. Weverton afirma que não é alvo direto dessas apurações.
Investigação em andamento
A Operação Sem Desconto segue em curso e busca identificar a participação de agentes públicos e privados no esquema de descontos ilegais que afetou milhões de aposentados e pensionistas. As autoridades ainda não divulgaram o detalhamento do papel atribuído a cada investigado.



