Washington amplia sanções contra Maduro e setor de petróleo

Washington amplia sanções contra Maduro e setor de petróleo

🕓 Última atualização em: 12/12/2025 às 08:24

O governo Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (12) um novo pacote de sanções contra familiares do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e contra empresas ligadas ao transporte de petróleo da Venezuela. A decisão ocorre em meio à maior escalada de tensão entre Washington e Caracas em anos, marcada por operações militares intensificadas no Caribe e confrontos envolvendo embarcações na região.

As medidas foram divulgadas no dia seguinte à apreensão de um navio petroleiro por forças norte-americanas próximo à costa venezuelana — ação que envolveu descida de militares por helicópteros e a tomada completa do controle da embarcação.

Sanções miram parentes de Maduro e frota de transporte de petróleo

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou três sobrinhos de Cilia Flores, esposa de Maduro, afirmando que dois deles atuam no narcotráfico dentro do território venezuelano. No mesmo anúncio, seis empresas de transporte marítimo e seis petroleiros usados para escoar petróleo venezuelano também foram adicionados à lista de restrições.

Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, Maduro e seus aliados “estão inundando os Estados Unidos com drogas que colocam em risco a população americana”.

Petroleiro apreendido será levado a porto nos EUA

A Casa Branca confirmou que o navio capturado será escoltado até um porto norte-americano, onde permanece sob ordem de confisco emitida pelo FBI. A tripulação está sendo interrogada. A embarcação, que já navegou com o nome “Adisa”, é investigada desde 2022 por supostas ligações com a Guarda Revolucionária do Irã e com o Hezbollah. No momento da apreensão, transportava entre 1,1 milhão e 1,9 milhão de barris de petróleo, segundo diferentes registros.

A ação foi tratada pelo governo de Maduro como “pirataria naval criminosa”. O presidente venezuelano acusou Washington de sequestrar tripulantes e roubar o carregamento. Horas antes das declarações públicas, Maduro conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, que reforçou sua solidariedade ao governo venezuelano diante do episódio. A ONU, por meio do secretário-geral António Guterres, também expressou preocupação com a escalada da crise.

Cuba, tradicional aliada de Caracas, manifestou apoio imediato ao governo venezuelano, ressaltando a dependência energética que mantém com o país.

EUA X Governo Maduro

Para a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, a apreensão do navio representa um golpe direto contra o “regime socialista” de Caracas e parte de uma estratégia para combater a influência de grupos ligados ao tráfico internacional de drogas.

Diferentemente de operações anteriores que resultaram em bombardeios e mortes no Caribe — ao menos 87 desde setembro —, a captura deste navio foi acompanhada de uma ordem formal de confisco, elevando o nível de enfrentamento entre os países.

Histórico: acusações e sanções

Washington acusa há anos a cúpula venezuelana de envolvimento com narcotráfico. Além de Maduro responder a processos em Nova York, dois sobrinhos de Cilia Flores foram presos no Haiti em 2016 e posteriormente condenados nos Estados Unidos por tráfico de drogas — ambos libertados durante o governo Joe Biden em troca de cidadãos americanos detidos na Venezuela.

Com as novas medidas, o Departamento do Tesouro voltou a incluir os familiares de Maduro na lista de sancionados, sinalizando o endurecimento da política de Trump contra Caracas.

Escalada militar americana no Caribe

Os EUA mobilizaram uma das maiores forças navais já vistas na região, incluindo o porta-aviões de maior capacidade do mundo, dezenas de caças e milhares de fuzileiros navais. O presidente Donald Trump declarou ainda ter autorizado a CIA a operar dentro do território venezuelano, ampliando a estratégia de pressão ao regime.

Enquanto isso, a opositora venezuelana María Corina Machado — recém-chegada a Oslo para receber o Prêmio Nobel da Paz — afirmou que contou com apoio dos EUA para deixar o país e prometeu retornar “no momento adequado”.

Mesmo sob vigilância constante, restrições de mobilidade e ameaças, María Corina Machado continua sendo a liderança mais popular entre os opositores. Para muitos venezuelanos, representa a última grande esperança de mudança em um país marcado por crise humanitária, colapso institucional e repressão.

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