Investigação do INSS alcança políticos, ex-diretores e empresários

Investigação do INSS alcança políticos, ex-diretores e empresários

🕓 Última atualização em: 19/12/2025 às 08:41

A Polícia Federal (PF) avançou nesta quinta-feira (18) em mais uma fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes no INSS responsável por desviar bilhões de reais de aposentadorias e pensões. A nova etapa colocou 24 pessoas no radar dos investigadores, incluindo um senador da República, uma empresária do setor de publicidade e um ex-diretor do instituto que atuou durante o governo Jair Bolsonaro.

As investigações tiveram como ponto de partida o material apreendido em abril com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador do grupo criminoso. A partir da análise de documentos, mensagens e movimentações financeiras, a PF identificou novos núcleos de atuação, que iam do meio político à estrutura administrativa e internacional.

Segundo cálculos da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU), o esquema pode ter causado um rombo de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, atingindo dezenas de milhares de aposentados e pensionistas, principalmente idosos, por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Núcleo político sob investigação

Entre os alvos está o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que teve endereços ligados a ele alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para a PF, o parlamentar teria exercido papel de liderança política e fornecido suporte institucional ao grupo criminoso, embora ele negue qualquer irregularidade.

A PF chegou a solicitar a prisão preventiva do senador, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra, alegando que, até o momento, não há comprovação direta de que ele tenha recebido valores ilícitos. Em nota, Weverton afirmou confiar nas instituições e disse não haver provas que o vinculem ao esquema.

Também foram alvos assessores e ex-assessores ligados ao parlamentar, como Gustavo Marques Gaspar, preso preventivamente, e Adroaldo da Cunha Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, que teve a prisão domiciliar decretada após ser afastado do cargo. A PF identificou depósitos em dinheiro, planilhas de controle de propinas e movimentações suspeitas envolvendo os investigados.

Outro nome que ganhou destaque na operação é o da empresária Roberta Moreira Luchsinger, apontada como peça-chave na ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, empresas ligadas a ela teriam recebido R$ 1,5 milhão por meio de contratos de consultoria considerados fictícios. A investigada nega irregularidades.

Núcleo administrativo e servidores do INSS

No núcleo administrativo, a PF prendeu Romeu Carvalho Antunes, filho do Careca do INSS, suspeito de assumir o comando do esquema após a divulgação das investigações. Ele teria atuado na ocultação de bens, negociação de ativos no exterior e controle de empresas usadas para lavar dinheiro.

Também foi preso Tiago Schettini Batista, apontado como um dos principais estrategistas financeiros do grupo, responsável por decisões estruturais e pela circulação de grandes volumes de recursos ilícitos.

Já no núcleo de servidores, a PF prendeu Eric Douglas Martins Fidelis, advogado e filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, preso em fase anterior da operação. De acordo com a investigação, Eric teria recebido mais de R$ 2,2 milhões disfarçados de honorários advocatícios pagos por empresas de fachada.

Outro alvo é Alexandre Guimarães, ex-diretor do INSS entre 2021 e 2023, durante o governo Bolsonaro. A PF aponta que ele exercia função estratégica de articulação e blindagem institucional, mantendo vínculos com empresas usadas no esquema.

Braço internacional do esquema

A investigação também identificou um braço transnacional, com atuação em Portugal. A empresária Danielle Miranda Fonteles, dona de uma agência de publicidade que já trabalhou em campanhas do PT, é apontada como responsável por operações internacionais de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ela teria recebido R$ 13,1 milhões do operador do esquema, além de intermediar a tentativa de compra de imóveis no exterior para ocultar recurso.

A PF apura crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e fraude contra o sistema previdenciário. Novas fases da Operação Sem Desconto não estão descartadas, e os investigadores avaliam se parte do esquema tentou replicar o modelo de fraude em outros órgãos públicos, como a Caixa Econômica Federal.

O caso é considerado um dos maiores escândalos envolvendo o INSS nos últimos anos, tanto pelo volume financeiro quanto pelo alcance social dos prejuízos.

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