Na mensagem de Ano Novo que marca a chegada de 2026, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo direto à ação coletiva global. Em um cenário internacional marcado por conflitos, crises climáticas e divisões políticas, o líder da ONU afirmou que a humanidade vive um momento decisivo, mas ainda dispõe de recursos e capacidade para construir um mundo mais justo e pacífico.

Mundo vive encruzilhada histórica, afirma Guterres
Segundo o secretário-geral, o planeta atravessa uma encruzilhada crítica. Apesar das múltiplas crises espalhadas pelo globo, ele destacou que a cooperação internacional e a coragem política podem reverter o atual cenário de instabilidade. Para Guterres, a entrada de um novo ano deve ser encarada como uma oportunidade de mudança concreta, e não apenas simbólica.
Ao relembrar os desafios enfrentados em 2025, o líder da Organização das Nações Unidas chamou atenção para um dado que, segundo ele, fala mais alto do que discursos: os gastos militares globais alcançaram US$ 2,7 trilhões, um aumento próximo de 10% em relação ao ano anterior.
De acordo com Guterres, esse montante é 13 vezes maior do que todo o investimento mundial em ajuda ao desenvolvimento e equivale ao Produto Interno Bruto (PIB) de todo o continente africano, evidenciando uma distorção de prioridades em nível global.
Retrocesso de valores e crise de confiança
Na avaliação do secretário-geral, o mundo está cercado por caos e incertezas, impulsionados por divisões políticas profundas, agravamento da crise climática e violações recorrentes do direito internacional. Para ele, esse contexto representa um retrocesso dos valores fundamentais que sustentam a convivência humana e a ideia de uma comunidade global baseada na solidariedade.
Guterres também questionou se a população ainda confia na disposição de seus líderes políticos para agir de forma responsável e reverter tendências que aprofundam desigualdades e conflitos.
A mensagem de Ano Novo destacou ainda que 2025 foi marcado pelo maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Mesmo diante desse cenário, o secretário-geral reforçou sua convicção de que a paz deve prevalecer em 2026, desde que haja compromisso político real e cooperação entre as nações.
Recursos existem para salvar vidas e o planeta
Para o chefe da ONU, o mundo dispõe de meios suficientes para salvar vidas, enfrentar a emergência climática e garantir um futuro baseado na paz e na justiça. O desafio, segundo ele, está na escolha de prioridades e na disposição de colocar pessoas e o planeta acima de interesses que perpetuam sofrimento e destruição.

Apelo aos líderes globais para 2026
Ao encerrar a mensagem, António Guterres pediu que líderes internacionais assumam sua responsabilidade histórica em 2026. Ele defendeu decisões guiadas pela humanidade, pela justiça social e pela preservação ambiental, ressaltando que somente com coragem coletiva será possível reconstruir a confiança, fortalecer a paz e garantir um futuro mais seguro para as próximas gerações.
O uso do termo “histórica” não é casual. Guterres sustenta que as decisões tomadas nesta década — especialmente na transição para 2026 — terão impacto direto na qualidade de vida das próximas gerações, possivelmente ao longo dos próximos cem anos.
O tom do discurso funciona como um alerta: ou os líderes globais se unem para enfrentar crises sistêmicas — climáticas, sociais, tecnológicas e econômicas — ou o mundo corre o risco de enfrentar um colapso de grandes proporções.
Para a ONU, o momento exige escolhas que priorizem a humanidade, a estabilidade e o futuro comum do planeta.



