Pais e responsáveis devem observar sinais de desconforto e desidratação em bebês e crianças pequenas durante períodos de calor excessivo, comuns no verão brasileiro.
Durante o verão, o aumento das temperaturas e a maior frequência de atividades ao ar livre exigem atenção redobrada com a saúde infantil. Um episódio registrado recentemente em uma praia de Santa Catarina reacendeu o debate sobre os riscos de expor bebês ao sol forte por períodos prolongados, especialmente nos horários de maior incidência de radiação solar.
O caso ganhou repercussão após banhistas alertarem autoridades sobre um bebê que permanecia sob sol intenso em um carrinho. A situação serviu de alerta para famílias em todo o país sobre os cuidados necessários com crianças pequenas em ambientes de calor extremo.
Bebês sofrem mais com altas temperaturas
De acordo com a pediatra Juliana Sobral, bebês e crianças pequenas ainda não possuem o sistema de termorregulação totalmente desenvolvido. Isso significa que eles têm mais dificuldade para eliminar o calor corporal, suam menos e acabam perdendo menos calor pela pele.
Além disso, o metabolismo infantil é mais acelerado, o que aumenta a produção de calor interno. Esse conjunto de fatores torna bebês mais vulneráveis à desidratação, insolação e outros problemas relacionados às altas temperaturas.
“Temperaturas acima de 30 °C, principalmente quando associadas à alta umidade, já representam risco. A situação se agrava com exposição direta ao sol, ambientes abafados e baixa ingestão de líquidos”, explica a médica.
Cuidados essenciais para proteger crianças do calor
Para reduzir os riscos durante passeios na praia, piscina ou outras atividades ao ar livre, especialistas recomendam algumas medidas básicas de prevenção:
- Oferecer líquidos com frequência, priorizando água;
- Utilizar roupas leves, claras e de algodão;
- Evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h;
- Manter bebês e crianças em locais ventilados e frescos;
- Evitar banhos com água muito quente;
- Nunca deixar crianças dentro de carros fechados, mesmo por poucos minutos;
- Usar protetor solar adequado à idade, sempre com orientação médica.
No caso de bebês em aleitamento materno, a recomendação é aumentar a frequência das mamadas. Para crianças maiores, a hidratação com água deve ser constante.
Horários mais seguros para exposição ao sol
Durante as férias escolares, é comum que crianças passem mais tempo ao ar livre. No entanto, especialistas reforçam que o horário faz toda a diferença para reduzir os riscos à saúde.
Segundo Andrea Dambroski, a exposição solar deve ocorrer preferencialmente no início da manhã ou no fim da tarde.
“Antes das 10h e após as 16h, a incidência da radiação UVB é menor, o que reduz os riscos e permite aproveitar os benefícios do sol com mais segurança”, orienta.
Sinais de desidratação e alerta para os pais
Bebês e crianças pequenas nem sempre conseguem expressar claramente o que estão sentindo. Por isso, a observação atenta dos responsáveis é fundamental. O calor excessivo pode provocar desidratação, brotoejas, queda de pressão, insolação e, em casos mais graves, convulsões febris.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Boca e lábios ressecados;
- Choro sem lágrimas;
- Redução do número de fraldas molhadas ou urina escura;
- Moleira mais funda em bebês;
- Irritabilidade excessiva ou sonolência;
- Pele com menor elasticidade.
A pediatra ressalta que febre sem sinais de infecção, durante períodos de calor intenso, pode indicar insolação e requer atendimento médico imediato. Crianças prematuras, com doenças crônicas ou que fazem uso contínuo de medicamentos precisam de acompanhamento ainda mais cuidadoso.
Com informação e prevenção, é possível aproveitar o verão de forma segura, protegendo a saúde e o bem-estar das crianças.



