O governo brasileiro mantém uma postura de análise estratégica diante do convite para integrar o Conselho de Paz, o novo organismo internacional proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa, lançada oficialmente durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, visa mediar conflitos globais, incluindo a crise na Faixa de Gaza, mas enfrenta resistência de potências europeias.
Embora a Casa Branca afirme que mais de 20 países já aceitaram o convite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstra pressa. O Palácio do Planalto avalia os riscos políticos e jurídicos de uma proposta que pode esvaziar a autoridade da ONU.
Os impasses: Poder de veto e soberania
A hesitação de Lula baseia-se em pontos críticos do rascunho de criação do conselho. Fontes diplomáticas apontam preocupação com a concentração de poder nas mãos de Trump, que acumularia as seguintes prerrogativas:
- Poder de veto absoluto em decisões do organismo.
- Controle total sobre votações e mandatos.
- Autoridade para decidir sobre a permanência ou expulsão de países membros.
Além disso, o estatuto do Conselho é ambíguo: embora lançado sob o pretexto da paz em Gaza, o texto não cita conflitos específicos, definindo sua missão de forma ampla para intervir em qualquer área sob ameaça.
ONU sob ameaça?
Um dos momentos mais tensos em Davos ocorreu quando Trump sugeriu que o Conselho de Paz poderia substituir as Nações Unidas, classificando a organização atual como “pouco útil”.
Em contrapartida, Lula tem usado sua agenda internacional para defender o fortalecimento e a reforma da ONU, e não sua substituição. Recentemente, o petista consultou líderes como Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia) e Recep Erdoğan (Turquia) para alinhar uma posição conjunta que preserve a representatividade global no Conselho de Segurança.
Rejeição Europeia
Até o momento, países como França, Alemanha, Espanha e Noruega já recusaram formalmente a adesão ao novo grupo. O Reino Unido e a China, assim como o Brasil, permanecem em silêncio, observando se o projeto de Trump ganhará fôlego ou se isolará como uma iniciativa unilateral de Washington.



