Como o celular pode estar afetando seu relacionamento

Como o celular pode estar afetando seu relacionamento

🕓 Última atualização em: 24/11/2025 às 12:42

É comum reconhecer que o celular interfere nas relações pessoais — ainda assim, muitos não conseguem evitar checar notificações diversas vezes ao dia. Esse comportamento abre espaço para o chamado phubbing, termo usado para descrever quando alguém é ignorado porque a outra pessoa está focada no telefone. A prática, segundo especialistas, pode prejudicar vínculos afetivos, gerar sensação de desvalorização entre casais e até afetar o desenvolvimento emocional de crianças. Entre os pequenos, o hábito pode fragilizar a conexão com os pais; entre os mais velhos, pode impactar a autoestima.

Para a psicóloga Kaitlyn Regehr, da University College London, culpar a falta de autocontrole não resolve o problema. Ela defende o uso mais consciente e transparente do aparelho, especialmente durante interações sociais.

A orientação é simples: sempre que precisar usar o celular, explique o motivo — e, ao concluir, guarde o aparelho e retome a conversa. De acordo com Regehr, verbalizar o que está fazendo (“vou responder uma mensagem importante”, “vou checar o horário do ônibus”) quebra o comportamento automático e sinaliza ao outro que ele continua sendo prioridade.

Essa pequena atitude, afirma a pesquisadora, evita que a outra pessoa se sinta ignorada e ainda reduz o risco de se perder em rolagens intermináveis ou alternância entre aplicativos.


Relações entram em ciclo de desconexão

A psicóloga Claire Hart, da University of Southampton, entrevistou quase 200 pessoas para entender como o phubbing afeta vínculos afetivos. Os resultados apontam que, quanto mais alguém se sente preterido pelo celular do parceiro, pior tende a ser o relacionamento.

Ela explica que muitos reagem pegando também o celular, criando um círculo vicioso de desatenção mútua e sensação de rejeição. Cada interrupção quebra a conexão emocional e pode levar tempo para que o diálogo volte ao ritmo natural.


Por que é tão difícil largar o celular?

A explicação está no próprio cérebro. Segundo a psicóloga Éilish Duke, da Leeds Beckett University, o hábito de checar o celular está ligado ao nosso sistema de recompensa, o mesmo responsável pela busca de prazer imediato — mecanismo também relacionado a vícios químicos.

O córtex pré-frontal, área que ajuda no controle de impulsos, pode ficar sobrecarregado. Assim, o gesto de desbloquear a tela se torna automático, sem que a pessoa perceba.

Pesquisas citadas por Duke revelam que usuários acreditam checar o celular poucas vezes ao dia, mas registros de tela mostram uma frequência muito maior.

A psiquiatra Ariane Ling, do NYU Langone Health, explica que a curiosidade é um traço natural do ser humano. Nosso cérebro deseja informações novas — e os aplicativos foram desenvolvidos exatamente para fornecer conteúdos constantes e personalizados.

Aplicativos como o TikTok favorecem esse processo ao mudar rapidamente os vídeos exibidos, mantendo o usuário em um estado de fluxo, no qual a percepção do tempo se altera. Assim, minutos se transformam em horas sem que a pessoa perceba.

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