Levantamento revela que um em cada quatro responsáveis acredita que o órgão genital do filho está menor que o normal
Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) durante o 40º Congresso Brasileiro de Urologia, realizado em Florianópolis na última semana, mostrou que muitos pais têm dúvidas sobre o desenvolvimento genital dos filhos. Segundo o levantamento, embora quase metade dos responsáveis (48%) considere o tamanho do pênis infantil adequado, 24% acreditam que o órgão esteja abaixo da média.
O estudo foi motivado pela disseminação de vídeos nas redes sociais que levantaram suspeitas de casos de micropênis em crianças, sugerindo até a necessidade de tratamento hormonal. Porém, os especialistas constataram que, na maioria das vezes, as medições feitas em casa são subestimadas — geralmente entre 2,5 e 3 centímetros a menos do que as medidas realizadas por profissionais.
Outro ponto importante revelado pela pesquisa é que fatores como maior peso, idade e circunferência abdominal da criança aumentam a chance de o responsável avaliar o pênis como menor, mesmo sem haver alteração real. Entre as quase 100 crianças avaliadas, nenhuma apresentava diagnóstico de micropênis.
“Ao comparar as medidas feitas pelos cuidadores com as obtidas pelo médico, observamos uma diferença significativa tanto no comprimento quanto na circunferência do pênis”, explica Veridiana Andrioli, integrante do Departamento de Urologia Pediátrica da SBU e coordenadora do estudo. A média aferida pelos responsáveis foi de 3,64 cm, enquanto a medição médica apontou cerca de 6,18 cm — diferença de aproximadamente 2,63 cm.
Quando o desenvolvimento peniano exige atenção?
De acordo com o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato, o crescimento do pênis é um processo contínuo, que se inicia na vida fetal e segue até o fim da puberdade. Ele destaca que o desenvolvimento ocorre em fases.
“No nascimento, o pênis costuma medir cerca de 3,7 cm. O crescimento se mantém até por volta dos quatro anos, quando ele tende a estabilizar na faixa de 6 a 7 cm. A evolução mais acentuada retorna apenas na puberdade, geralmente a partir dos 12 anos”, afirma.
Essa particularidade faz com que meninos de 10 anos possam ter medidas semelhantes às de meninos mais novos, o que costuma gerar insegurança nos pais, mas faz parte do padrão normal de crescimento.
O especialista reforça que a preocupação só é necessária quando o tamanho está muito abaixo do esperado para a idade. Nesses casos, pode haver suspeita de micropênis, que exige investigação hormonal e acompanhamento médico. O diagnóstico precoce é essencial, já que o potencial de resposta ao tratamento é maior antes da puberdade.
Em situações confirmadas, o tratamento pode incluir medicamentos específicos, sempre com indicação criteriosa. “Mais do que focar no aumento do tamanho, o objetivo é garantir um desenvolvimento saudável, equilíbrio hormonal e boa autoestima”, explica Liberato.
Ele também reforça que, na grande maioria dos casos, o desenvolvimento genital infantil segue padrões normais. “O mais importante é observar se a criança urina bem, não apresenta desconforto e está crescendo conforme as curvas de desenvolvimento. Comparações desnecessárias só aumentam a ansiedade das famílias”, conclui.



