A paralisação dos motoristas de ônibus de duas empresas do transporte público de São Luís completou seis dias nesta quarta-feira (19), ainda sem previsão de encerramento. A categoria reivindica o pagamento de salários atrasados, enquanto mais de 30 bairros permanecem sem atendimento regular.
A redução da frota tem dificultado o deslocamento de milhares de moradores da Grande Ilha, que enfrentam longas esperas e superlotação nos poucos veículos que continuam circulando.
Impasse entre SET e Prefeitura continua
O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) afirma que só conseguirá regularizar os salários se a Prefeitura repassar 100% do subsídio previsto. O município, porém, respondeu que transfere apenas 80% do valor porque as empresas colocam em operação somente 80% da frota. Segundo a Prefeitura, o repasse integral só será realizado quando todos os ônibus retornarem às ruas.
Enquanto isso, trabalhadores, estudantes e moradores de diversas regiões continuam enfrentando dificuldades para chegar ao trabalho e voltar para casa.
Justiça determina comprovação de pagamento
Na terça-feira (18), o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) intimou o SET a comprovar, em até 48 horas, o pagamento integral dos salários e do auxílio-alimentação referentes a outubro de 2025. A decisão do desembargador Luiz Cosmo da Silva Júnior atende a um pedido do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sttrema).
As empresas Transporte Marina Ltda., Expresso Rei de França Ltda. e Expresso Grapiúna Ltda. deverão apresentar contracheques ou comprovantes bancários. Caso não cumpram a determinação, uma nova multa diária poderá ser aplicada diretamente ao sindicato patronal — diferente da penalidade anterior, que recaía apenas sobre os rodoviários.
Vouchers de transporte por aplicativo
Diante da continuidade da greve, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), anunciou a oferta de vouchers de R$ 30 (ida e volta) para corridas por aplicativo. O valor será custeado pelo município e já está disponível para a população. ver Balsa Nova: O Refúgio Aconchegante da Região Metropolitana
Braide também afirmou que o subsídio poderia ser repassado diretamente a uma conta judicial, mas o TRT-MA esclareceu que não recebe valores de entes públicos fora de processos formalmente instaurados, situação que não se aplica ao caso.
Ação da Prefeitura é extinta pela Justiça
A Justiça do Trabalho ainda analisou uma ação apresentada pela Prefeitura, mas a juíza Noélia Maria Cavalcanti Martins e Rocha, da 5ª Vara do Trabalho, extinguiu o processo sem julgamento de mérito. Ela declarou que questões sobre abusividade da greve ou funcionamento do sistema devem ser tratadas diretamente pelo TRT-MA.
Bairros mais afetados pela paralisação
A greve atinge principalmente regiões da Cidade Operária e Cidade Olímpica, causando impacto na mobilidade de moradores de ao menos 30 bairros, entre eles:
Alto do Turu, Cajupary/Nova Vida, Cidade Olímpica, Cidade Operária/São Francisco, Cohatrac, Forquilha, Ipem Turu, Janaína, José Reinaldo Tavares, Maiobinha, Mato Grosso, Parque Jair, Parque Vitória, Pedra Caída, Recanto Verde, Ribeira, Santa Clara, Socorrão/Rodoviária, São Raimundo/Bandeira Tribuzzi, Tajaçuaba, Tajipuru, Tibiri, Tropical/Santos Dumont, Tropical/São Francisco, Uema Ipase, Vila Aparecida, Vila Cascavel, Vila Esperança, Vila Isabel Cafeteira, Vila Itamar, Vila Lobão, Vila Vitória e Viola Kiola.
Crise no transporte público se arrasta há meses
O SET afirma que a situação se agravou por falta de repasses, que já somariam cerca de R$ 7 milhões. O valor está previsto em acordo homologado pelo TRT-MA, mas, segundo o sindicato, não vem sendo cumprido pelo município.
Desde fevereiro, apenas 80% da frota opera em São Luís por determinação judicial, que visa garantir o mínimo de atendimento durante greves. O SET afirma que segue a decisão e diz estar aberto ao diálogo para encerrar a paralisação.



