Kashiwazaki-Kariwa, desativada desde o desastre de Fukushima, pode voltar a operar em meio ao aumento da demanda energética e às metas climáticas japonesas
As autoridades japonesas autorizaram, nesta sexta-feira (21), a reativação parcial da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior do mundo em capacidade instalada. O complexo não gera energia desde 2011, ano do terremoto e do tsunami que levaram ao colapso da usina de Fukushima.
O governador da província de Niigata, Hideyo Hanazumi, anunciou apoio à retomada das operações. A decisão final, porém, ainda depende da aprovação da Autoridade Reguladora Nuclear do país.
Maior usina nuclear do planeta pode voltar a operar
Com sete reatores, Kashiwazaki-Kariwa é o maior complexo de energia atômica em operação no mundo, tanto em estrutura quanto em capacidade de geração. A usina perdeu a licença para funcionar após o acidente de Fukushima, operado pela mesma empresa, a Tokyo Electric Power Company (Tepco).
Desde então, o Japão adotou normas de segurança mais rígidas e suspendeu temporariamente todas as atividades nucleares do país. Nos últimos anos, porém, 14 reatores de outras companhias já voltaram a operar, principalmente nas regiões oeste e sul do arquipélago.
Demanda crescente e objetivos climáticos impulsionam retomada
A possível reativação da usina ocorre em um momento de forte aumento no consumo de energia provocado pela expansão de data centers e da indústria de semicondutores. Além disso, o governo japonês pretende reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e cumprir metas de neutralidade de carbono até 2050.
Mais de 70% da matriz energética japonesa ainda é composta por usinas termelétricas a carvão, gás e petróleo — combustíveis quase totalmente importados, ao custo estimado de US$ 500 milhões por dia.
Estruturas reforçadas após Fukushima
Para atender às novas exigências de segurança, Kashiwazaki-Kariwa recebeu uma série de melhorias estruturais. Entre elas estão:
- Muro de 15 metros para proteção contra tsunamis;
- Sistemas de energia de emergência instalados em locais mais elevados;
- Equipamentos atualizados para evitar falhas semelhantes às ocorridas em Fukushima.
O complexo ocupa uma área de 400 hectares na costa do Mar do Japão, de frente para a Península Coreana, e marcará a primeira reativação conduzida pela própria Tepco desde a tragédia de 2011, que deixou cerca de 18 mil mortos no país.
Nova liderança japonesa favorece energia nuclear
Especialistas avaliam que o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, no poder desde o mês passado, tem demonstrado maior disposição para acelerar a expansão da energia nuclear.
Para Yoko Mulholland, do think tank climático E3G, Takaichi prioriza a autossuficiência energética e a ampliação da capacidade nuclear, com menos foco em fontes renováveis.
Metas para 2040: nuclear deve crescer e eólica enfrenta desafios
O plano energético apresentado pelo governo prevê que a energia nuclear representará cerca de 20% da geração total até o ano fiscal de 2040 — um salto em relação aos 8,5% registrados em 2023/24.
As energias renováveis, segundo Tóquio, deverão se tornar a principal fonte do país até 2040. A energia eólica, porém, enfrenta obstáculos: custos elevados levaram, por exemplo, o conglomerado Mitsubishi a abandonar três grandes projetos no setor.
Fukushima ainda é um desafio para as próximas décadas
Paralelamente à retomada de reatores, o Japão segue trabalhando na desativação total da usina de Fukushima. A remoção do combustível derretido e de detritos radioativos é considerada um dos processos mais complexos do mundo e deve se estender por vários anos.
Em agosto, robôs controlados remotamente foram enviados para o interior de um dos prédios danificados, como parte dos preparativos para a próxima fase de descontaminação.



