Médicos analisam exame de ressonância magnética do cérebro em ambiente clínico

Estudo aponta sinal precoce do Alzheimer em ressonância

🕓 Última atualização em: 03/01/2026 às 12:28

Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, identificaram um possível indicador inicial da doença de Alzheimer que pode ser detectado em exames de ressonância magnética usados rotineiramente na prática clínica.

O achado aponta para alterações em canais cerebrais responsáveis pela drenagem de resíduos metabólicos, conhecidas como espaços perivasculares dilatados (EPVS, na sigla em inglês). Segundo os cientistas, essa modificação pode surgir antes mesmo dos sintomas clássicos, como falhas de memória, e antes do acúmulo de proteínas tradicionalmente associadas ao diagnóstico da doença.

Bloqueio na limpeza cerebral favorece acúmulo de proteínas tóxicas

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Neurology, a dilatação desses canais compromete o sistema de limpeza do cérebro. Com a troca de líquidos prejudicada, resíduos e proteínas tóxicas tendem a se acumular, favorecendo processos inflamatórios e o declínio cognitivo.

Os pesquisadores observaram que, em parte dos casos analisados, a presença de EPVS antecedeu os marcadores cerebrais mais utilizados atualmente para identificar o Alzheimer, o que abre caminho para um diagnóstico mais precoce.

Exame comum pode ajudar na detecção antecipada

Um dos pontos destacados pelos autores é o fato de que essas alterações podem ser identificadas visualmente em exames de ressonância magnética convencionais, sem a necessidade de testes invasivos adicionais.

Segundo o neurologista Nagaendran Kandiah, líder da pesquisa, a observação desses sinais pode complementar os métodos diagnósticos existentes e ampliar as possibilidades de identificar a doença em estágios iniciais, quando ainda é possível retardar danos irreversíveis ao cérebro.

População asiática ajudou a revelar novo marcador

O estudo chama atenção por ter analisado predominantemente indivíduos asiáticos, grupo historicamente sub-representado em pesquisas sobre Alzheimer. A maioria dos estudos anteriores concentrou-se em populações brancas europeias, o que pode limitar a identificação de variações genéticas e biológicas relevantes.

Os pesquisadores destacam, por exemplo, que a prevalência do gene de risco apolipoproteína E4, frequentemente associado ao Alzheimer em populações caucasianas, é significativamente menor entre pacientes com demência em Singapura. Essa diferença pode ter contribuído para a identificação de novos caminhos biológicos ligados à doença.

Análise envolveu quase mil participantes

A equipe avaliou exames de imagem de 957 pessoas residentes em Singapura, com diferentes origens étnicas e média de idade de 58 anos. O grupo incluiu tanto indivíduos com cognição preservada quanto participantes com comprometimento cognitivo leve.

Os resultados mostraram maior frequência de espaços perivasculares dilatados entre aqueles com dificuldades cognitivas iniciais, grupo que já apresenta risco elevado de progressão para Alzheimer ou demência vascular.

Associação com inflamação e marcadores de demência

A presença de EPVS também foi associada a níveis mais altos de proteínas relacionadas à inflamação e à degeneração neuronal. Entre os participantes com essas alterações vasculares, houve maior incidência de marcadores como GFAP, cadeia leve de neurofilamento (NfL) e tau fosforilada, todos relacionados a processos neurodegenerativos.

Para os autores, os dados reforçam a hipótese de que a obstrução precoce da drenagem cerebral pode ocorrer antes dos sinais tradicionalmente usados para diagnosticar o Alzheimer, ampliando as possibilidades de rastreamento antecipado da doença.

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