Medicamento antigo mostra potencial no tratamento do Alzheimer

Medicamento antigo mostra potencial no tratamento do Alzheimer

🕓 Última atualização em: 22/12/2025 às 13:32

Um medicamento utilizado há décadas no tratamento de outras condições médicas pode ajudar a retardar a morte de neurônios associada à doença de Alzheimer, segundo um novo estudo realizado por pesquisadores dos Universidade do Colorado Anschutz, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na última sexta-feira (19) na revista científica Cell Reports Medicine.

A pesquisa analisou os efeitos do sargramostim, uma versão sintética da proteína GM-CSF, conhecida por estimular o sistema imunológico. Os cientistas observaram que o medicamento foi capaz de reduzir marcadores sanguíneos relacionados à morte neuronal em pessoas com Alzheimer, além de promover melhora em testes cognitivos.

A GM-CSF é uma proteína produzida naturalmente pelo organismo e faz parte do grupo das citocinas, substâncias responsáveis pela comunicação entre as células do sistema imunológico. O nome vem do inglês Granulocyte-Macrophage Colony-Stimulating Factor (Fator Estimulador de Colônias de Granulócitos e Macrófagos).

Redução de marcadores ligados à morte neuronal

Embora alterações nos neurônios possam começar ainda nas fases iniciais da vida e se intensifiquem com o envelhecimento, o estudo mostrou que o uso do sargramostim levou à diminuição de proteínas no sangue associadas à degeneração neuronal em pacientes diagnosticados com Alzheimer.

De acordo com os pesquisadores, um dos principais achados foi a queda significativa da UCH-L1, proteína relacionada à morte de neurônios. Outro marcador analisado foi a NfL, liberada quando há lesão neuronal. Ambos tendem a aumentar progressivamente ao longo da vida, atingindo níveis mais elevados em idades avançadas.

Segundo o professor Huntington Potter, autor sênior do estudo e diretor do Centro de Alzheimer e Cognição da universidade, o ensaio clínico demonstrou mudanças mensuráveis tanto em exames de sangue quanto em avaliações cognitivas em um período relativamente curto. Para ele, os dados indicam que pode ser possível interferir em processos biológicos ligados à progressão da doença, mesmo após o diagnóstico.

Alterações no sangue ao longo do envelhecimento

Para compreender melhor esses efeitos, os pesquisadores também analisaram dados de indivíduos de diferentes faixas etárias. Eles identificaram que proteínas associadas à morte ou lesão dos neurônios aumentam gradualmente com o envelhecimento, alcançando níveis mais altos por volta dos 85 anos.

Outra proteína observada foi a GFAP, relacionada à inflamação cerebral, cujos níveis começam a crescer a partir dos 40 anos. O estudo chamou atenção ainda para o fato de que esses marcadores aparecem em concentrações mais elevadas em mulheres, embora as razões para essa diferença ainda não estejam totalmente esclarecidas.

Os achados reforçam a hipótese de que processos inflamatórios e a perda gradual de neurônios contribuem para o declínio cognitivo associado ao envelhecimento e ao Alzheimer.

Efeitos do sargramostim nos pacientes

No ensaio clínico, o sargramostim foi administrado por um período curto. Durante o tratamento, os níveis de UCH-L1 caíram cerca de 40%, alcançando valores próximos aos observados no início da vida adulta. Esse efeito, no entanto, foi temporário e desapareceu após a interrupção do uso do medicamento.

Por outro lado, os participantes apresentaram melhora em um dos testes cognitivos, o Mini Exame do Estado Mental, e esse benefício foi mantido mesmo 45 dias após o fim do tratamento, diferentemente dos marcadores sanguíneos.

Segundo os autores, o GM-CSF estimula a produção de células do sistema imune tanto na medula óssea quanto no cérebro, ajudando a modular a inflamação, mecanismo que pode estar relacionado aos efeitos observados.

Avanço nos testes: O que esperar agora?

Os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda são preliminares e não permitem afirmar se o sargramostim consegue reduzir de forma duradoura a morte neuronal associada ao Alzheimer ou ao envelhecimento normal. Também não está claro se os benefícios dependem do uso contínuo do medicamento.

Um segundo ensaio clínico, mais longo e com um número maior de participantes com Alzheimer leve a moderado, já está em andamento. Até que novos dados sejam analisados e avaliados por órgãos reguladores como a Food and Drug Administration, os pesquisadores alertam que o medicamento não deve ser utilizado fora das indicações atualmente aprovadas.

Especialistas destacam que, embora promissores, os resultados reforçam a importância de diagnóstico precoce, acompanhamento médico e continuidade das pesquisas para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a doença de Alzheimer.

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