China dispara foguetes em exercícios militares ao redor de Taiwan

China dispara foguetes em exercícios militares ao redor de Taiwan

🕓 Última atualização em: 30/12/2025 às 10:53

A China realizou nesta terça-feira (30) o segundo dia de exercícios militares de grande escala em torno de Taiwan, incluindo o disparo de foguetes com munição real. As manobras são as maiores registradas nos últimos oito meses nas proximidades da ilha e ampliam o clima de instabilidade no Estreito de Taiwan.

Segundo informações da Reuters, a Guarda Costeira de Taiwan informou que forças chinesas lançaram sete foguetes contra áreas marítimas designadas como zonas de treinamento. Os disparos ocorreram durante exercícios de tiro real conduzidos pelas forças terrestres do Exército de Libertação Popular.

O Comando do Teatro Oriental, responsável pelas operações, afirmou que as manobras alcançaram os objetivos previstos. As ações incluíram lançadores de foguetes de longo alcance, mísseis, caças em decolagem simultânea e navios de guerra disparando canhões ao redor da ilha.

https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2025/12/China-divulga-video-de-lancamento-de-foguete-em-direcao-a-Taiwan-veja.png?crop=1&h=675&w=1200

Exercícios “Missão Justiça 2025”

Batizados de “Missão Justiça 2025”, os exercícios envolvem tropas do Exército, da Marinha e da Força Aérea chinesas. Vídeos divulgados por Pequim mostram equipamentos militares em posição de combate, reforçando o caráter demonstrativo das manobras.

De acordo com autoridades chinesas, o objetivo é testar a capacidade de resposta conjunta das forças armadas. Em uma das gravações divulgadas, um militar afirmou que as ações simulam a neutralização de “forças separatistas”, referência direta ao governo de Taiwan.

Reação de Taiwan e impacto no tráfego aéreo

O presidente taiwanês, Lai Ching-te, condenou de forma veemente os exercícios, classificando-os como uma ameaça à estabilidade regional. Em resposta, o governo mobilizou a Guarda Costeira e a Aeronáutica para manobras defensivas.

As autoridades também reforçaram o controle do espaço aéreo. Ao menos 76 voos domésticos para ilhas próximas foram cancelados, afetando cerca de 6 mil passageiros, segundo dados oficiais divulgados em Taipé.

https://pbs.twimg.com/media/G9UlFwtWoAAiV6K.jpg

Alerta internacional e importância estratégica

O Ministério da Defesa de Taiwan informou que as Forças Armadas estão se preparando para o “pior cenário possível”. Autoridades alertam que a pressão militar chinesa representa riscos não apenas para a ilha, mas para a comunidade internacional, já que o Estreito de Taiwan é uma das principais rotas comerciais do mundo e Taiwan ocupa posição central na cadeia global de tecnologia.

Apesar da escalada, moradores de Taipé acompanharam os acontecimentos sem sinais evidentes de pânico. “Temos nosso próprio governo e nossa Constituição. Não nos vemos como parte da China”, disse uma residente à imprensa local.

Contexto histórico e tensão com os EUA

A disputa entre China e Taiwan remonta a 1949, após a vitória comunista na Guerra Civil Chinesa. Desde então, Pequim considera Taiwan uma província rebelde, enquanto a ilha é governada de forma autônoma e democrática.

As atuais manobras ocorrem 11 dias após os Estados Unidos anunciarem um pacote de venda de armas a Taiwan avaliado em US$ 11 bilhões, o maior já registrado. O governo chinês acusa potências externas de incentivar a instabilidade na região.

Nos últimos meses, o cenário se tornou ainda mais complexo com declarações do Japão indicando que poderia reagir militarmente a um eventual ataque chinês à ilha — posicionamento que gerou forte reação de Pequim.

Os exercícios militares chineses seguem em andamento, mantendo elevados os níveis de tensão no Pacífico e reacendendo preocupações globais sobre um possível conflito na região.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *