A Arábia Saudita realizou nesta terça-feira (30) um ataque aéreo contra a cidade portuária de Mukalla, no leste do Iêmen, elevando o nível de tensão com os Emirados Árabes Unidos. Segundo Riad, o bombardeio foi uma resposta ao suposto envio de armas emiradenses a grupos separatistas iemenitas.
O episódio agrava o desgaste entre os dois aliados regionais, que apoiam facções distintas no conflito iemenita, e ocorre em meio à crescente instabilidade estratégica no Mar Vermelho.
Armas e apoio a separatistas motivaram ataque, diz Riad

Em comunicado divulgado pela imprensa estatal saudita, as Forças Armadas afirmaram que o ataque ocorreu após a chegada de navios procedentes de Fujairah, nos Emirados, que teriam descarregado armas e veículos militares destinados ao Conselho de Transição do Sul — grupo separatista apoiado por Abu Dhabi.
De acordo com o governo saudita, as embarcações teriam desligado seus sistemas de rastreamento antes de atracar em Mukalla. As autoridades classificaram o carregamento como uma “ameaça iminente” à segurança regional e justificaram o ataque como uma ação preventiva e limitada.
Estado de emergência e restrições no Iêmen
Após o bombardeio, forças iemenitas contrárias aos Houthis decretaram estado de emergência. Foi imposta uma restrição de 72 horas para travessias de fronteira, além de limitações ao acesso a aeroportos e portos marítimos sob controle dessas forças, com exceção de operações autorizadas pela Arábia Saudita.
Até o momento, não há confirmação oficial de vítimas. Os militares sauditas afirmaram que o ataque foi realizado durante a madrugada para minimizar riscos de danos colaterais.
Emirados não comentam oficialmente
Os Emirados Árabes Unidos não se pronunciaram de forma imediata sobre a operação militar. Já um canal de comunicação ligado ao Conselho de Transição do Sul confirmou a ocorrência dos ataques, mas sem divulgar detalhes adicionais.
Analistas de segurança identificaram ao menos um dos navios atingidos como uma embarcação do tipo roll-on/roll-off, registrada em São Cristóvão e Nevis, que teria feito escala recente em Fujairah antes de seguir para Mukalla. Vídeos que circularam nas redes sociais indicariam a presença de novos veículos blindados na cidade após a chegada do navio.

Mukalla e a disputa pelo sul do Iêmen
Mukalla está localizada na província de Hadramout, área estratégica que vem sendo disputada nos últimos dias. A cidade fica a cerca de 480 quilômetros de Aden, considerada o principal reduto das forças anti-houthis desde que os rebeldes tomaram Sanaa em 2014.
Na semana passada, a Arábia Saudita já havia realizado bombardeios contra posições do Conselho de Transição do Sul, interpretados por analistas como um aviso para interromper o avanço separatista nas províncias de Hadramout e Mahra.
Rivalidades regionais e impacto geopolítico
Embora mantenham cooperação histórica, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm enfrentado divergências crescentes por influência política, militar e econômica no Oriente Médio. A disputa se reflete não apenas no Iêmen, mas também em outros cenários, como o conflito no Sudão e as tensões envolvendo rotas estratégicas do Mar Vermelho.
Especialistas avaliam que o ataque a Mukalla pode desencadear uma escalada controlada, com reforço do controle territorial por parte dos separatistas e uma tentativa saudita de limitar o fluxo de armas por meio do domínio do espaço aéreo.
O episódio reforça o cenário de instabilidade regional e amplia as preocupações internacionais sobre a segurança marítima e o equilíbrio de forças no sul da Península Arábica.



