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China faz ameaça direta ao Japão em meio a disputa por Taiwan

🕓 Última atualização em: 27/11/2025 às 10:47

Pequim reage à intenção japonesa de instalar mísseis em ilha próxima à costa de Taiwan

O Ministério da Defesa da China voltou a elevar o tom das críticas ao Japão nesta quinta-feira (27), afirmando que Tóquio poderá enfrentar um “preço doloroso” caso ultrapasse limites relacionados à questão de Taiwan. A reação ocorre após o anúncio japonês de que pretende instalar mísseis em uma ilha localizada a cerca de 100 quilômetros do território taiwanês.

A tensão entre os dois países se intensificou nas últimas semanas, especialmente após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Ela afirmou recentemente que uma eventual ofensiva chinesa contra Taiwan poderia levar o Japão a acionar uma resposta militar.

No último domingo (23), o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, declarou que avança a implementação de uma unidade de mísseis terra-ar de médio alcance em Yonaguni, ilha situada a aproximadamente 110 quilômetros da costa leste de Taiwan.

China critica “interferência” japonesa

Em resposta, o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Jiang Bin, reforçou que a questão de Taiwan é um tema exclusivo de Pequim e não cabe ao Japão opinar ou interferir. Ele lembrou ainda que Tóquio colonizou Taiwan entre 1895 e 1945, período que, segundo a China, deveria motivar reflexão — e não envolvimento militar.

“O Japão não apenas deixou de refletir sobre seus crimes de agressão e domínio colonial, como agora alimenta a ideia de intervir militarmente no Estreito de Taiwan”, afirmou Jiang.

Ele acrescentou que o Exército de Libertação Popular possui “força suficiente para enfrentar qualquer agressor” e alertou: “Se o lado japonês ultrapassar a linha, ainda que minimamente, enfrentará consequências dolorosas”.

Taiwan reage e anuncia reforço militar

Taiwan, por sua vez, rejeita as reivindicações territoriais da China e afirma que apenas sua população pode decidir o futuro da ilha.

O presidente Lai Ching-te anunciou nesta semana um plano para ampliar o orçamento de defesa em mais US$ 40 bilhões ao longo de oito anos. Pequim criticou a medida, dizendo que o investimento levaria Taiwan “ao desastre”.

O Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan rebateu, afirmando que o orçamento chinês para defesa é “muito superior” e que, caso Pequim priorizasse a paz, poderia destinar recursos ao desenvolvimento interno. “A redução da hostilidade seria positiva para ambos os lados do Estreito”, disse o porta-voz Liang Wen-chieh.

Operações militares continuam no entorno da ilha

A China mantém operações quase diárias no entorno de Taiwan, com movimentação de navios e aeronaves. Para Taipé, essas ações fazem parte de uma estratégia de pressão constante destinada a enfraquecer o governo local.

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