Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acenderam um alerta vermelho na saúde pública brasileira. Dados exclusivos obtidos pelo Fantástico e analisados pelo Inep mostram que temas cruciais como Pediatria, Ginecologia e Saúde Mental registraram os maiores índices de erro entre os quase 39 mil estudantes do último ano de Medicina que realizaram o exame.
O desempenho foi considerado alarmante: cerca de 13 mil alunos não atingiram o aproveitamento mínimo de 60%, e mais de 30% das faculdades avaliadas foram reprovadas pelo Ministério da Educação (MEC).
O “básico” que preocupa: Erros em Dengue e Parkinson
O que mais surpreendeu os avaliadores foi o alto índice de erro em questões classificadas como de “baixa dificuldade”, que tratam de protocolos rotineiros da atenção primária.
De acordo com o relatório, os futuros médicos falharam em temas que deveriam ser dominados durante o internato (estágio prático):
- Dengue: 66% dos alunos erraram o manejo de casos com sintomas graves.
- Neurologia: 65% falharam ao identificar o procedimento inicial para cefaleia persistente com sinais de inflamação.
- Parkinson: 56% não souberam indicar medicamentos básicos para o tratamento da doença.
Estudantes denunciam precarização do ensino médico
Em depoimentos colhidos pela reportagem, os alunos transferem parte da culpa para a infraestrutura das instituições. As queixas se repetem tanto em faculdades públicas quanto em privadas com mensalidades que superam os R$ 10 mil:
- Falta de Prática: Cenários de prática superlotados, onde o número de alunos inviabiliza o contato real com o paciente.
- Corpo Docente: Relatos de professores desatualizados ou sobrecarregados. No Rio de Janeiro, um aluno denunciou um caso em que uma docente prescreveu uma medicação incorreta durante a aula.
- Hospitais-Escola: Ausência de unidades próprias para treinamento, limitando o aprendizado a procedimentos superficiais.
Punições do MEC e o futuro Registro Profissional
O Ministério da Educação já anunciou que as faculdades com desempenho insatisfatório sofrerão sanções imediatas, incluindo a proibição de novas vagas e a redução das turmas atuais.
Paralelamente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) intensifica a pressão no Senado para a aprovação do Profmed. O objetivo é transformar o exame em um requisito obrigatório para a obtenção do CRM, similar à prova da OAB para advogados.
“Formar profissionais com lacunas tão graves coloca a vida da população em risco direto”, alertou a presidência do CFM.



