Lipedema: Entenda os Gatilhos Inflamatórios e Como Controlar a Doença

Lipedema: Entenda os Gatilhos Inflamatórios e Como Controlar a Doença

🕓 Última atualização em: 17/01/2026 às 20:04

O lipedema é uma condição crônica que afeta a qualidade de vida de milhões de mulheres, mas que, por muito tempo, foi erroneamente confundida com obesidade ou apenas uma questão estética. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença se caracteriza pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura em áreas específicas do corpo.

Embora a genética desempenhe um papel crucial, especialistas alertam que gatilhos inflamatórios e hormonais são os principais responsáveis pela progressão dos sintomas.


O que é o Lipedema e por que ele ocorre?

Diferente da gordura comum, o lipedema é uma patologia de origem vascular. Ele causa inchaço, sensibilidade severa ao toque e a formação frequente de hematomas. Segundo dados do Instituto Lipedema Brasil, estima-se que uma em cada dez mulheres conviva com a condição no mundo — no Brasil, esse número pode ultrapassar os 10 milhões.

A nutróloga Dra. Giovanna Spagnuolo Brunello explica que a doença costuma agir de forma silenciosa. “Fatores como estresse crônico, sedentarismo e uma dieta rica em ultraprocessados alimentam uma inflamação de baixo grau que agrava o quadro”, afirma a especialista.

Os Principais Gatilhos da Doença

A manifestação do lipedema está intimamente ligada a picos hormonais. Os sintomas costumam surgir ou piorar em fases específicas da vida feminina:

  • Puberdade;
  • Gestação;
  • Uso de anticoncepcionais;
  • Menopausa.

Além dos hormônios, o estilo de vida moderno — caracterizado por longas horas na mesma posição e falta de mobilidade — prejudica o sistema linfático, acelerando o acúmulo de gordura doente.


Sinais de Alerta: Como Identificar o Lipedema?

Muitas pacientes passam anos sem um diagnóstico correto. Fique atenta aos sinais mais comuns:

  1. Desproporção corporal: Gordura localizada em pernas e braços que não diminui com dietas convencionais.
  2. Dor e Peso: Sensação de pernas pesadas e dor ao sofrer qualquer pressão mínima.
  3. Hematomas: Surgimento de manchas roxas sem causa aparente (trauma).
  4. Textura da pele: Presença de nódulos sob a pele, semelhantes a uma “celulite endurecida”.

Importante: O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico. Não existe um exame de sangue específico; a avaliação é feita por médicos especialistas (angiologistas ou cirurgiões vasculares) através do histórico da paciente e exame físico.


A Luta por Políticas Públicas e Tratamento no SUS

Apesar de ter sido incluída na CID-11 (Classificação Internacional de Doenças), a implementação completa das diretrizes de tratamento ainda enfrenta desafios. Atualmente, o Movimento Lipedema lidera uma mobilização nacional para que o tratamento — que pode incluir de fisioterapia complexa a cirurgias específicas — seja coberto integralmente por planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Dr. Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil, ressalta que a conscientização é o primeiro passo para a democratização do acesso à saúde. “Precisamos de políticas públicas que reconheçam que o lipedema não é uma escolha estética, mas uma enfermidade que exige cuidado especializado”, defende.


Tabela: Diferenças entre Lipedema e Obesidade

CaracterísticaLipedemaObesidade Comum
DistribuiçãoDesproporcional (pernas/braços)Geralmente uniforme no corpo todo
Dor ao toqueMuito comum e persistenteRaramente apresenta dor
Resposta a dietasBaixa resposta nas áreas afetadasRedução global de medidas
Pés e MãosGeralmente não são afetadosPodem apresentar acúmulo de gordura

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