Desde a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizada em 3 de janeiro, o presidente Donald Trump intensificou o discurso agressivo na política externa e passou a ameaçar diretamente outros cinco países: Cuba, México, Colômbia, Irã e a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. As declarações elevaram o nível de tensão diplomática global e reacenderam temores sobre novos conflitos armados.
A escalada retórica ocorre após a operação norte-americana em Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma ação inicialmente apresentada como combate ao narcotráfico.
Ataque à Venezuela marca nova fase da política externa dos EUA
O ataque à capital venezuelana marcou o início de 2026 com uma intervenção militar direta dos Estados Unidos na América do Sul. Poucas horas após a operação, Trump afirmou que Washington passaria a controlar as reservas de petróleo da Venezuela, consideradas as maiores do mundo.
A declaração reforçou críticas internacionais de que a ação teria motivações econômicas e estratégicas, e não apenas de segurança, como alegado inicialmente pela Casa Branca.
Cuba volta ao centro das ameaças de Washington
Cuba foi um dos primeiros alvos do novo discurso de Trump. O presidente norte-americano afirmou que o governo cubano deve firmar um acordo com os Estados Unidos ou perderá acesso a “petróleo e dinheiro”.
Segundo Trump, Havana teria se beneficiado durante anos de apoio financeiro e energético da Venezuela em troca de serviços de segurança prestados aos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Em publicações nas redes sociais, o republicano declarou que não haverá mais repasses à ilha socialista.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta segunda-feira (12) que não existem negociações em andamento com Washington, além de contatos técnicos relacionados à imigração.
México reage a ameaças de ações terrestres
Trump também direcionou críticas duras ao México, afirmando que os Estados Unidos pretendem realizar operações terrestres contra cartéis de drogas em território mexicano. O presidente norte-americano alegou que organizações criminosas controlam partes do país vizinho e são responsáveis por centenas de milhares de mortes ligadas ao tráfico.
Após as declarações, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, informou que conversou por telefone com Trump e classificou o diálogo como produtivo. Segundo ela, o respeito à soberania mexicana foi reafirmado, e qualquer possibilidade de intervenção militar foi descartada.
Colômbia entra no radar após ofensiva em Caracas
A Colômbia se tornou um dos principais focos das declarações de Trump logo após o ataque à Venezuela. O presidente norte-americano criticou duramente o governo colombiano e acusou o país de ser conivente com o narcotráfico.
As falas provocaram reação do presidente colombiano, Gustavo Petro, que chegou a afirmar que defenderia o país em caso de agressão externa. A tensão diminuiu após uma conversa telefônica entre os dois líderes, no dia 7 de janeiro. Segundo Trump, os governos agora preparam um encontro diplomático em Washington.
Trump insiste em anexar a Groenlândia
Outro ponto sensível envolve a Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. Trump voltou a defender publicamente a anexação da ilha, afirmando que os Estados Unidos “precisam” controlar a região para evitar a influência da Rússia e da China no Ártico.
O presidente norte-americano chegou a mencionar a possibilidade de compra do território, mas também não descartou o uso da força. As declarações provocaram forte reação do governo dinamarquês, que alertou para o risco de ruptura dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O governo da Groenlândia afirmou que reforçará a cooperação com a Otan para garantir a segurança do território.
Irã enfrenta pressão em meio a protestos internos
O Irã também entrou na lista de ameaças de Trump. O país vive uma onda de protestos contra o governo, impulsionada pela crise econômica e pela alta inflação. Organizações de direitos humanos apontam mais de 500 mortos e cerca de 10 mil prisões desde o início das manifestações.
Trump afirmou que os Estados Unidos poderão intervir caso haja novas mortes de manifestantes. Além disso, anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre transações comerciais com qualquer país que mantenha negócios com o Irã.
A medida amplia o isolamento econômico de Teerã e se soma a outras sanções já impostas por Washington.



