Doenças transmitidas por mosquitos se espalham por Cuba

Doenças transmitidas por mosquitos se espalham por Cuba

🕓 Última atualização em: 18/12/2025 às 08:18

Cuba enfrenta uma grave crise de saúde pública marcada pela rápida disseminação de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, chikungunya e febre oropouche. O avanço simultâneo dessas arboviroses ocorre em um contexto de colapso do sistema de saúde, escassez de medicamentos, cortes frequentes de energia elétrica e dificuldades no acesso a atendimento médico.

Entre a população, a ameaça é chamada simplesmente de “o vírus”. Febre alta, dores intensas nas articulações, manchas na pele, vômitos e diarreia estão entre os sintomas mais relatados. Mesmo após a fase aguda da doença, muitos pacientes continuam sofrendo com sequelas que comprometem a mobilidade e a qualidade de vida.

Segundo informações do governo cubano e da Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o país vive um surto simultâneo das três arboviroses. Autoridades sanitárias também alertam para a circulação de outros vírus respiratórios, incluindo a covid-19.

Relatos descrevem cidades tomadas por doentes

Moradores de diferentes regiões da ilha relatam um cenário alarmante. Em publicações nas redes sociais, há descrições de ruas ocupadas por pessoas com dificuldades para caminhar, curvadas pela dor e visivelmente debilitadas.

Em Matanzas, por exemplo, relatos comparam a situação a uma “cidade de zumbis”, em referência à grande quantidade de pessoas doentes circulando lentamente pelas ruas ou confinadas em casa sem condições físicas de trabalhar ou buscar ajuda médica.

Hospitais sem recursos e medo de procurar atendimento

A epidemia avança em um momento em que os hospitais cubanos enfrentam falta crônica de medicamentos, materiais básicos e capacidade diagnóstica. Luvas, seringas e remédios simples muitas vezes precisam ser comprados pelos próprios pacientes no mercado informal ou enviados por familiares que vivem no exterior.

Diante da precariedade, grande parte da população evita procurar unidades de saúde, recorrendo à automedicação em casa. Isso dificulta a notificação dos casos e impede uma estimativa real do número de infectados no país.

Casos e mortes podem ser subnotificados

As autoridades de saúde reconhecem ao menos 47 mortes associadas às arboviroses. No entanto, especialistas independentes e moradores afirmam que o número real pode ser maior, já que muitas mortes não são oficialmente registradas como consequência direta dessas doenças.

Dados recentes do Ministério da Saúde Pública de Cuba indicam um aumento expressivo dos casos de chikungunya, com crescimento de mais de 70% em apenas uma semana. A Opas estima quase 26 mil infecções confirmadas, mas admite que o total pode ser significativamente superior.

O avanço das arboviroses e o risco global

Embora o surto atual esteja concentrado em Cuba, doenças como dengue, chikungunya e oropouche não são exclusivas da ilha. No Brasil, a dengue é registrada há décadas, enquanto a chikungunya se espalhou rapidamente pelo país a partir de 2015. Já a febre oropouche, identificada pela primeira vez no Caribe nos anos 1950, teve dezenas de surtos documentados na região amazônica brasileira.

Especialistas alertam que fatores como mudanças climáticas, desmatamento, falta de saneamento e urbanização desordenada ampliam o risco de expansão dessas doenças para novas áreas, inclusive grandes centros urbanos.

Crise estrutural agrava disseminação dos vírus

A situação sanitária em Cuba é agravada por apagões constantes, falta de água e acúmulo de lixo nas cidades — condições ideais para a proliferação de mosquitos transmissores. Sem eletricidade, ventiladores e aparelhos de ar-condicionado deixam de funcionar, aumentando a exposição da população às picadas.

Apesar de campanhas de combate ao mosquito, como pulverização de inseticidas, moradores afirmam que as ações são insuficientes diante da gravidade do problema.

Sequelas preocupam pacientes e especialistas

Além das mortes, outro ponto de alerta são as sequelas deixadas pelas arboviroses. Dores articulares persistentes, limitação de movimentos e fadiga prolongada continuam afetando pacientes semanas ou até meses após a infecção.

Sem acompanhamento médico adequado, cresce a incerteza sobre os impactos de longo prazo dessas doenças na população cubana, especialmente entre idosos e pessoas com comorbidades.

Enquanto isso, a combinação de crise econômica, colapso hospitalar e avanço das doenças mantém a população em estado de alerta permanente — e sem perspectiva clara de alívio no curto prazo.

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