Cúpula do Mercosul ocorre sob impasse com a União Europeia

Cúpula do Mercosul ocorre sob impasse com a União Europeia

🕓 Última atualização em: 20/12/2025 às 16:29

A Cúpula do Mercosul acontece neste sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR), com a presença dos principais chefes de Estado do bloco sul-americano, em um momento marcado pela frustração com o adiamento do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Participam do encontro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o argentino Javier Milei, o uruguaio Yamandú Orsi e o paraguaio Santiago Peña.

A única ausência confirmada é a do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, recém-empossado e ainda em fase de organização de sua equipe de governo. Em contrapartida, o evento conta com a participação de José Raúl Mulino, presidente do Panamá, país que recentemente passou a integrar o Mercosul como Estado Associado.


Acordo Mercosul-UE segue travado

O encontro dos líderes ocorre sob o impacto da não assinatura do acordo com a União Europeia, que era aguardada para este mês. Inicialmente marcada para o dia 2 de dezembro, a Cúpula foi adiada para o dia 20 após a expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estivesse presente para formalizar o tratado.

No entanto, França e Itália solicitaram o adiamento da votação do acordo no Conselho Europeu, o que acabou bloqueando o avanço do processo. Sem a autorização do colegiado, Von der Leyen ficou impossibilitada de assinar o pacto com o Mercosul.

A principal resistência vem de setores do agronegócio europeu, especialmente agricultores que temem prejuízos com a maior entrada de produtos sul-americanos no mercado europeu. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que trabalha para reduzir a oposição interna e avalia que o acordo possa avançar em janeiro, prazo aceito pelos países do Mercosul. Diante desse cenário, cresce a expectativa sobre o tom que será adotado por Lula e pelos demais presidentes em relação à demora europeia durante os discursos da Cúpula.



Reuniões ministeriais e inauguração de ponte

Sem a conclusão de novos acordos comerciais imediatos, a presidência brasileira do Mercosul pretende usar a Cúpula para sinalizar avanços em negociações paralelas. Estão no radar tratativas com países e blocos como Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia e México, com o objetivo de ampliar a inserção internacional do Mercosul.

Os trabalhos da Cúpula tiveram início na sexta-feira (19), com a chegada dos ministros das Relações Exteriores dos países membros e associados. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, recebeu as delegações e conduziu reuniões preparatórias em Foz do Iguaçu.

Ainda na sexta, o presidente Lula participou da inauguração de uma nova ponte entre Brasil e Paraguai sobre o Rio Paraná. A obra, que contou com investimento de R$ 1,9 bilhão dos dois países, terá liberação gradual do tráfego.

Com extensão total de 760 metros, a ponte foi financiada pela Itaipu Binacional, em parceria com o governo federal, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o governo do Paraná, e é considerada estratégica para a integração logística e comercial da região.

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