Tecnologias avançadas inauguram nova fase no tratamento do câncer de próstata no Brasil

Tecnologias avançadas inauguram nova fase no tratamento do câncer de próstata no Brasil

🕓 Última atualização em: 06/11/2025 às 08:34

O câncer de próstata, o tipo de tumor mais frequente entre homens no país, está entrando em uma nova etapa de cuidados. A combinação entre cirurgias robóticas, testes genéticos e medicamentos mais modernos tem transformado o manejo da doença, oferecendo maior precisão, recuperação acelerada e menor risco de sequelas como impotência e incontinência urinária.

Com a recente incorporação da cirurgia robótica ao Sistema Único de Saúde (SUS), anunciada pelo Ministério da Saúde em outubro de 2025, pacientes passam a ter acesso a uma tecnologia antes limitada majoritariamente à rede privada. O procedimento — indicado para casos localizados ou clinicamente avançados — deve ser implementado nos hospitais credenciados em até 180 dias.

Segundo especialistas, a chegada dos robôs representa um salto na qualidade da assistência. As plataformas permitem movimentos mais delicados, visão ampliada e maior preservação de estruturas próximas da próstata, reduzindo sangramento e diminuindo o risco de disfunções pós-operatórias.

Um estudo do Hospital das Clínicas da USP indica que o uso da tecnologia pode reduzir em até 25% a probabilidade de impotência após a cirurgia. Para o urologista Vinicius Paníco, do Instituto Lado a Lado pela Vida, o desafio agora é democratizar o acesso: enquanto a rede privada utiliza a robótica até nos estágios iniciais da doença, o SUS ainda limita a indicação a casos mais avançados.

O oncologista Raphael Brandão reforça que a área vive um momento de transição. “A oncologia de próstata está finalmente entrando na era da personalização. Não buscamos apenas prolongar a vida, mas garantir que o paciente mantenha qualidade de vida, preservando função sexual e reduzindo efeitos colaterais.”


Genética redefine diagnóstico e decisões terapêuticas

Outro avanço que tem reconfigurado o tratamento é o uso crescente de testes genômicos. Essas análises avaliam mutações no DNA do tumor e ajudam a prever o comportamento da doença, indicando se o câncer tende a evoluir lentamente ou se apresenta maior agressividade.

De acordo com o oncologista Igor Morbeck, também do Instituto Lado a Lado pela Vida, os testes moleculares já auxiliam na escolha do tratamento ideal e evitam procedimentos desnecessários. Pacientes com tumores de baixo risco, por exemplo, podem ser acompanhados em vigilância ativa, enquanto aqueles com mutações específicas recebem terapias mais direcionadas.

Morbeck alerta que o histórico familiar é um sinal importante: homens com parentes próximos que tiveram câncer de próstata, mama ou colorretal devem ser avaliados por especialistas em oncogenética, já que parte dos casos em pacientes jovens tem origem hereditária.


Novas medicações controlam o tumor e ampliam a sobrevida

Nos estágios mais avançados — quando o tumor deixa de responder à hormonioterapia convencional — entram em cena fármacos de nova geração, como abiraterona, darolutamida, enzalutamida e apalutamida. Essas drogas bloqueiam vias específicas do hormônio masculino e impedem a progressão da doença mesmo com níveis reduzidos de testosterona.

Segundo o urologista Maurício Cordeiro, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), esses medicamentos têm mostrado capacidade de atrasar metástases e prolongar a sobrevida, com menor toxicidade.

A relevância desse avanço é ainda maior diante das projeções internacionais. Análise publicada pela comissão científica da revista The Lancet aponta que, até 2040, o número de novos casos de câncer de próstata deve quase dobrar, passando de 1,4 milhão para cerca de 2,9 milhões por ano. As mortes podem chegar a aproximadamente 700 mil no mesmo período. O impacto tende a ser mais grave em países de menor renda, onde o diagnóstico precoce ainda é limitado.


Diagnóstico precoce segue sendo determinante

Apesar do salto tecnológico, especialistas destacam que o maior obstáculo continua sendo o acesso ao diagnóstico. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 71,7 mil novos casos da doença apenas em 2025, com 17,5 mil mortes no mesmo ano.

O urologista Vinicius Paníco lembra que muitos pacientes do SUS chegam ao tratamento já com tumores avançados, enquanto usuários da rede privada costumam ser diagnosticados precocemente — reflexo direto das desigualdades no sistema de saúde. ver Coren-SP marca presença na abertura da XX Semana Nacional de Conciliação

Exames como PSA e toque retal, quando feitos de forma individualizada e acompanhados por profissionais capacitados, continuam sendo as principais ferramentas para detectar o câncer antes dos sintomas, quando as chances de cura ultrapassam 90%.

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