O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu neste sábado (22) à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao ser questionado por jornalistas, o republicano lamentou o episódio: “Foi isso que aconteceu? É uma pena”, declarou.
Bolsonaro foi detido em casa, em Brasília, nas primeiras horas da manhã e levado para a sede da Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República também deu parecer favorável à prisão preventiva.
O STF apontou riscos à ordem pública e indícios de que Bolsonaro poderia estar se preparando para fugir.
Violation of the electronic ankle monitor
De acordo com o despacho de Moraes, o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal notificou o STF sobre a violação da tornozeleira eletrônica de Bolsonaro às 0h08. A equipe de segurança do ex-presidente foi comunicada imediatamente e confirmou o dano, realizando a troca do equipamento pouco depois da 1h.
O relatório técnico apontou “avarias significativas” no dispositivo, incluindo marcas de queimadura. Em depoimento, Bolsonaro afirmou ter usado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento e disse que começou a manuseá-lo ainda na tarde de sexta-feira (21).
Na decisão, Moraes sustentou que o episódio reforça a suspeita de tentativa de fuga, especialmente diante da manifestação convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio do pai.
Para o ministro, o ato — apresentado como uma vigília religiosa — poderia gerar tumulto e comprometer a eficácia das medidas cautelares, repetindo, segundo ele, o “modus operandi” de mobilizações anteriores organizadas por aliados de Bolsonaro.
Proximidade com o Setor de Embaixadas aumentou alerta
Outro ponto citado por Moraes foi a localização da residência do ex-presidente, a cerca de 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul, onde está a embaixada dos Estados Unidos. A curta distância, que pode ser percorrida em cerca de 15 minutos, foi considerada um fator que ampliaria o risco de evasão.
O ministro lembrou ainda que, durante investigações anteriores, a PF encontrou no celular de Bolsonaro um arquivo editável que solicitava asilo político à Argentina. O documento reforçaria, segundo Moraes, os planos de fuga do ex-presidente desde 2024.
Trump já havia criticado julgamento de Bolsonaro
A declaração deste sábado não foi a primeira manifestação de Donald Trump sobre a situação jurídica de Bolsonaro. Ao longo do processo que resultou na condenação do ex-presidente brasileiro, o republicano publicou mensagens no Truth Social classificando o julgamento como uma “caça às bruxas”. Trump chegou a pedir que Bolsonaro fosse “deixado em paz”.
Ele também citou o caso ao anunciar medidas do tarifaço contra o Brasil em julho, afirmando que Bolsonaro e seus apoiadores estariam sofrendo violações de direitos humanos e perseguições políticas.
Desde então, Trump não havia voltado a comentar o tema publicamente. Em outubro, após reunião com Trump, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o julgamento de Bolsonaro seguiu o devido processo legal. Nas últimas semanas, parte das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil foi reduzida por novas ordens da Casa Branca.



