Carne bovina grelhada em chapa de ferro, imagem ilustrativa sobre exportação e mercado da carne entre Brasil, China e México

China e México limitam carne bovina; impacto no Brasil é contido

🕓 Última atualização em: 07/01/2026 às 08:25

A decisão da China e do México de estabelecer cotas para a importação de carne bovina acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Apesar disso, economistas avaliam que os preços da carne no Brasil não devem recuar em 2026, mesmo com eventuais ajustes nas exportações.

O Brasil segue como o maior exportador mundial de carne bovina e tem os dois países entre seus principais destinos comerciais, o que torna as mudanças relevantes para o setor.

Como funcionam as novas cotas

As medidas adotadas por China e México impõem limites anuais de importação com alíquotas diferenciadas.

China-Em 2026, o Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para a China com a tarifa atual de 12%. Volumes que ultrapassarem esse teto serão taxados em 55%. Em 2025, os embarques brasileiros para o mercado chinês somaram cerca de 1,6 milhão de toneladas, o que evidencia o impacto potencial da medida.

México-No caso mexicano, foi criada uma cota de 70 mil toneladas livres de imposto. O excedente passa a ser taxado em 20%. Em 2025, o México importou aproximadamente 113 mil toneladas de carne bovina do Brasil.

Preços no Brasil devem continuar elevados

Apesar das restrições, analistas afirmam que o consumidor brasileiro não deve perceber alívio nos preços ao longo do ano. A inflação das carnes acumulou alta de 5% em 12 meses, segundo o IPCA de novembro.

Especialistas apontam uma combinação de fatores que sustentam os preços:

  • redução esperada no abate de gado em 2026, em função do ciclo pecuário;
  • aumento da demanda interna em razão das eleições e da Copa do Mundo;
  • manutenção de volumes elevados de exportação para a China, que ainda depende do mercado externo;
  • redirecionamento de parte da carne para outros países, como os Estados Unidos.

Cota chinesa gera maior preocupação

Entre as duas decisões, a limitação imposta pela China é considerada a mais sensível. Segundo analistas do Itaú BBA, o teto estabelecido fica cerca de 600 mil toneladas abaixo do volume exportado pelo Brasil no ano passado.

Pesquisadores do Cepea lembram, no entanto, que as cotas chinesas têm validade de três anos e aumentam gradualmente, o que pode reduzir o impacto ao longo do tempo.

Além disso, há dúvidas sobre a capacidade de outros fornecedores suprirem a demanda chinesa no curto prazo, já que a carne brasileira segue sendo uma das mais competitivas em preço no mercado internacional.

Fato novo: risco de inflação da carne na China

Um ponto adicional observado por analistas é o risco de inflação da carne no mercado chinês. A produção local cresceu, mas não no mesmo ritmo do consumo, o que levou o governo chinês a investigar os efeitos das importações sobre os produtores domésticos.

Como a pecuária exige tempo para expansão, há avaliação de que a limitação pode gerar escassez temporária e pressão inflacionária na China, abrindo espaço para renegociações futuras ou flexibilização das cotas.

Situação específica do México

O México apresenta menor dependência de importações, mas enfrenta dificuldades internas. O país registrou queda no rebanho bovino em razão da disseminação da bicheira-do-novo-mundo, doença grave que afeta o gado e preocupa também os Estados Unidos, importantes fornecedores de animais vivos para o mercado mexicano.

Esse cenário pode levar o México a diversificar parceiros comerciais, o que mantém o Brasil como alternativa viável.

Para onde pode ir a carne brasileira

Caso parte da carne deixe de ser destinada à China ou ao México, os Estados Unidos aparecem como um dos principais destinos potenciais. O país enfrenta o menor rebanho bovino desde a década de 1960, enquanto os preços seguem elevados no varejo.

Outros mercados também ganham relevância, como Argentina, Uruguai e Filipinas. A Argentina, por exemplo, ampliou de forma significativa as importações de carne brasileira em 2025.

Há ainda expectativa de abertura do mercado japonês, embora analistas avaliem que eventuais compras iniciais devem ocorrer em volumes reduzidos.

Produção menor sustenta preços em 2026

Mesmo com possíveis ajustes nas exportações, a oferta interna de carne bovina tende a diminuir ao longo do ano. O Brasil vive uma fase de alta do ciclo pecuário, em que produtores retêm fêmeas para reprodução, reduzindo o volume de animais enviados ao abate.

Segundo especialistas, o primeiro semestre pode registrar maior exportação para preenchimento das cotas. Já no segundo semestre, a combinação de menor oferta e demanda firme deve manter os preços da carne bovina próximos aos níveis observados em 2025.

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