O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta que o Brasil terá papel imprescindível nos planos de estabilização da Venezuela, especialmente após a escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos e o país vizinho. Assessores próximos ao presidente afirmam que Brasília busca equilibrar uma boa relação com Washington e também com o novo comando venezuelano para ampliar sua influência diplomática na região.
Fontes do governo informaram que a estratégia de Lula inclui manter um diálogo estreito com o presidente Donald Trump e com os Estados Unidos, mesmo diante de episódios que têm causado atrito entre os dois países. O Planalto não descartou a realização de uma visita oficial de Lula a Washington no primeiro semestre de 2026, reunião que teria sido reforçada após convite feito por Trump na última conversa telefônica entre os dois líderes no final de 2025.
O objetivo declarado é que o Brasil atue de maneira ativa nas iniciativas internacionais voltadas para a estabilização política e econômica da Venezuela, que enfrenta uma crise profunda há anos.
Tensões entre Brasil, EUA e Venezuela
A recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na retirada do presidente Nicolás Maduro do poder e na sua captura por forças norte-americanas, foi amplamente criticada por Brasília e outros países latino-americanos. O governo brasileiro considerou a ação como uma violação de soberania e do direito internacional, em linha com declarações públicas do presidente Lula e de autoridades do Itamaraty.
Essa movimentação gerou preocupação no Brasil sobre possíveis impactos econômicos, humanitários e políticos, incluindo o risco de um novo fluxo migratório e de instabilidade mais ampla na região.
Fato importante: EUA anunciam compra de petróleo venezuelano
Em meio às tensões geopolíticas, os Estados Unidos anunciaram um acordo para receber entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano a preço de mercado, com o objetivo de impulsionar tanto a recuperação econômica da Venezuela quanto os interesses energéticos norte-americanos. A transação foi interpretada por analistas como parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para reconfigurar sua influência na América Latina em meio à crise venezuelana.
Esse movimento consumado por Washington ocorre em um contexto de intensa disputa global por recursos energéticos e geopolíticos, no qual o papel do Brasil como mediador ou parceiro estratégico pode ganhar relevância nas negociações internacionais.
Estratégia diplomática brasileira
Assessores do presidente Lula afirmam que a cooperação com os EUA não exclui críticas pontuais à forma como Washington tem atuado na Venezuela. A diplomacia brasileira sustenta que qualquer ação que viole o princípio da não intervenção constitui um precedente perigoso para a estabilidade regional.
Ao mesmo tempo, o Brasil busca manter uma relação pragmática com a administração norte-americana, especialmente considerando que mudanças políticas nos Estados Unidos — como a interferência em eleições latino-americanas — podem ter efeitos diretos no cenário político interno brasileiro, incluindo nas eleições previstas para outubro de 2026.
Caminhos para a estabilização
Autoridades brasileiras acreditam que o Brasil pode agregar valor às iniciativas multilaterais de reconstrução venezuelana, seja por meio de participação no diálogo político, em fóruns regionais ou em cooperação econômica.
Para o governo Lula, a estabilização da Venezuela exige medidas que vão além da simples pressão externa, englobando diálogo diplomático, incentivos econômicos e ações que respeitem a soberania do país vizinho.



