Uma investigação baseada em dados da Lei de Acesso à Informação (LAI) revelou indícios graves de irregularidades na Câmara dos Deputados. O deputado federal Gabriel Mota (Republicanos-RR) é apontado como o responsável por validar a assiduidade integral de Thallys Mendes dos Santos de Jesus, esposa do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus.
A denúncia ganha contornos ainda mais complexos pelo fato de Jhonatan de Jesus ser o relator de casos sensíveis no TCU, incluindo o polêmico processo envolvendo o Banco Master.
Entenda o caso: Emprego e frequência integral
De acordo com os documentos obtidos, Thallys Jesus ocupou o cargo de secretária parlamentar entre março e agosto de 2023, com uma remuneração de R$ 12.139,40. Durante esse período, o deputado Gabriel Mota — que assumiu a vaga de Jhonatan de Jesus na Câmara após este ser indicado ao TCU — atestou mensalmente que a servidora cumpria sua jornada de trabalho sem qualquer falta ou atraso.
No entanto, relatos internos indicam que a servidora era desconhecida pelos colegas de gabinete. Na época, ela cursava medicina em período integral, o que, em tese, impossibilitaria o cumprimento da carga horária de 40 horas semanais exigida pelo Ato da Mesa 72/97 da Câmara.
O “ponto” dos secretários parlamentares
Diferente de outros servidores, os ocupantes de cargos comissionados na Câmara não utilizam registro biométrico. A frequência é validada exclusivamente por uma declaração assinada pelo parlamentar. No caso em questão:
- Frequência atestada: 100% de presença.
- Justificativa oficial: O deputado alega que as funções eram “externas”.
- Contraditório: A rotina acadêmica da servidora e o desconhecimento de sua atuação por outros funcionários levantam suspeitas de que o cargo seria “fantasma”.
Conexões políticas e decisões no TCU
A nomeação e a manutenção de Thallys no gabinete de Gabriel Mota ocorreram enquanto seu marido, o ministro Jhonatan de Jesus, atuava em processos de alto interesse político e econômico.
Recentemente, o ministro esteve sob os holofotes ao arquivar uma denúncia contra o presidente da Câmara, Hugo Motta, sem realizar oitivas, e ao manter uma postura controversa em relação à liquidação extrajudicial do Banco Master, o que gerou atritos com o Banco Central e críticas de ministros do STF.
O que dizem os envolvidos
Até o momento, a Câmara dos Deputados não instaurou procedimentos disciplinares ou sindicâncias para apurar o caso.
Em nota, o deputado Gabriel Mota defendeu a legalidade da nomeação. Segundo o parlamentar, a servidora realizava “atividades institucionais externas”, o que justificaria sua ausência física permanente no gabinete em Brasília. O ministro Jhonatan de Jesus e sua esposa, Thallys Jesus, ainda não se manifestaram oficialmente sobre as novas revelações.
Impacto e Transparência
O caso reforça o debate sobre a fiscalização de cargos comissionados no Legislativo e os possíveis conflitos de interesse envolvendo membros de tribunais de contas e parlamentares ativos.



