Por Redação | Atualizado em 25 de setembro de 2025 – 21h10 – O site do Escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, saiu do ar nesta semana após uma medida considerada incomum: a aplicação da Lei Global Magnitsky — legislação dos Estados Unidos voltada à punição de violações aos direitos humanos e casos de corrupção internacional.
A situação repercutiu de forma intensa no meio jurídico e político brasileiro, levantando discussões sobre os limites de atuação de leis estrangeiras, as consequências práticas para advogados e empresas brasileiras, e o impacto institucional sobre o Supremo Tribunal Federal.
O que motivou a sanção e como ela afeta o Brasil
A Lei Global Magnitsky, aprovada pelo Congresso americano em 2016, permite ao governo dos EUA sancionar indivíduos e entidades estrangeiras considerados cúmplices em violações de direitos humanos ou corrupção sistêmica. Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, Viviane Barci teria relação com estruturas patrimoniais que beneficiariam diretamente o ministro Alexandre de Moraes, já alvo de sanção individual desde julho deste ano.
No comunicado oficial, os EUA acusam o Instituto LEX — empresa familiar da qual Viviane é sócia — de funcionar como estrutura de blindagem patrimonial, alegando também que a atuação do ministro no STF tem violado liberdades civis no Brasil. Com a inclusão da advogada nas sanções, houve imediata reação do provedor de hospedagem do site de seu escritório, que suspendeu o domínio.
Site saiu do ar após notificação sobre sanção
O site barcidemoraes.com.br, que divulgava serviços e histórico jurídico do escritório da esposa de Moraes, ficou inacessível após o envio de uma notificação à empresa Hostinger, onde o domínio estava hospedado. A comunicação foi feita pelo vereador Rodrigo Marcial (Novo), de Curitiba, que anexou documentos relativos às sanções aplicadas pelo Departamento de Estado dos EUA.
A empresa de hospedagem, que possui base em países com acordos jurídicos com os EUA, respondeu em menos de 24 horas, informando que a conta associada ao domínio foi suspensa por estar vinculada a uma pessoa sob sanções internacionais.
Implicações jurídicas e políticas da decisão
A suspensão do site por conta de uma sanção internacional traz um debate sensível ao cenário jurídico brasileiro. Especialistas afirmam que, embora o Brasil não reconheça automaticamente decisões estrangeiras sem homologação judicial, empresas de tecnologia ou hospedagem com operações nos EUA costumam acatar ordens para evitar penalizações.
Entre as consequências possíveis para a advogada Viviane Barci estão:
- restrição de movimentações financeiras em bancos internacionais;
- bloqueio de ativos e contas que utilizem sistemas financeiros sob jurisdição americana;
- restrição para atuação em países com acordos jurídicos com os EUA;
- prejuízo reputacional dentro e fora do país.
Além disso, o escritório poderá ter dificuldades de operar digitalmente caso precise recorrer a empresas estrangeiras para hospedagem, emissão de certificados digitais ou contratos com clientes internacionais.
Governo e STF reagem: soberania em xeque?
Em nota, o governo brasileiro classificou as sanções como interferência inaceitável em assuntos internos, afirmando que cabe às autoridades brasileiras julgar condutas de seus cidadãos. O STF também se manifestou em defesa do ministro e de sua família, afirmando que a medida dos EUA representa um ataque à independência institucional da Justiça brasileira.
Juristas e parlamentares já pedem a convocação do Itamaraty e da Procuradoria-Geral da República para avaliar eventuais medidas diplomáticas.
E agora: o que deve acontecer?
Fontes próximas ao escritório afirmam que o domínio poderá ser transferido para outro servidor fora da influência de sanções, ou ser reestruturado com outra identidade digital. No entanto, especialistas em direito internacional alertam que, mesmo com mudanças, empresas terceirizadas podem seguir impedidas de prestar serviços caso mantenham vínculos com os EUA.
A expectativa agora recai sobre uma possível ação judicial nacional para reativar o domínio e reverter os impactos da sanção. Por outro lado, o episódio acende um alerta vermelho para outros advogados, empresários e autoridades brasileiras que, mesmo sem condenação formal no país, possam ser atingidos por legislações extraterritoriais em contextos geopolíticos delicados.



