Feminicídios em 2025 expõem violência em espaços públicos

Feminicídios em 2025 expõem violência em espaços públicos

🕓 Última atualização em: 27/12/2025 às 07:58

O rompimento de relações afetivas segue como um dos períodos de maior risco para mulheres vítimas de violência de gênero. Em 2025, uma parcela significativa dos casos de feminicídio ocorreu fora do ambiente doméstico, revelando um padrão de perseguição, controle e ódio contra mulheres, segundo especialistas em segurança pública e justiça.

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/11/18/comissao-debate-campanha-pelo-fim-da-violencia-contra-mulheres-e-meninas/image_processing20211019-13537-7vvjxj.jpg/mural/imagem_materia

Violência letal contra mulheres ultrapassa o espaço doméstico

Casos registrados ao longo de 2025 mostram que mulheres assassinadas por ex-companheiros foram atacadas em locais públicos, como ruas e ambientes de trabalho. Entre as vítimas estão Tainara Souza Santos, Evelyn de Souza Saraiva e Camila Aparecida Montoro Cruz, mortas de forma violenta após episódios anteriores de agressão.

Os ataques ocorreram em circunstâncias extremas: atropelamentos intencionais, execuções em locais profissionais e perseguições após histórico de violência doméstica. Os crimes reforçam que, embora a residência ainda seja o principal local dos feminicídios, a violência de gênero também ocupa espaços coletivos.

Dados apontam ruas como segundo principal cenário dos crimes

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que, em 2024, 64,3% dos feminicídios ocorreram dentro da casa da vítima, mantendo o mesmo patamar do ano anterior. Já 21,2% dos assassinatos foram cometidos em vias públicas.

Os números demonstram que a violência não se limita ao espaço privado. Quando a mulher rompe o vínculo com o agressor, a ameaça tende a se deslocar para locais ligados à sua rotina diária, como trabalho, escola dos filhos e áreas de convivência social.

São Paulo registra recorde de feminicídios em 2025

A escalada da violência também se reflete nas estatísticas oficiais. Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que a cidade de São Paulo alcançou, em 2025, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2018.

Entre janeiro e outubro, foram 53 mortes, o que representa uma mulher assassinada a cada cinco dias, em média. No mesmo período, o estado de São Paulo contabilizou 207 casos.

https://s2-cbn.glbimg.com/P3IQaD2zswL8HgEP8L9ovwwsCI8%3D/0x0%3A1280x960/888x0/smart/filters%3Astrip_icc%28%29/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d975fad146a14bbfad9e763717b09688/internal_photos/bs/2025/P/j/afsilHTcSdkIKWRJktEQ/whatsapp-image-2025-12-07-at-14.33.30.jpeg

Especialistas apontam feminicídio como crime de poder

Para pesquisadoras e autoridades ouvidas pela imprensa, os ataques em locais públicos têm um significado simbólico. Trata-se de uma tentativa do agressor de reafirmar domínio, masculinidade e posse sobre a mulher, mesmo após o fim do relacionamento.

A promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, explica que o término da relação costuma despertar sentimentos de rejeição, raiva e desprezo no agressor. Esse cenário aumenta o risco de violência extrema.

Segundo ela, o feminicídio frequentemente envolve atos de crueldade que funcionam como demonstração pública de poder. O agressor busca “marcar território” e expor a violência como forma de intimidação social.

Ruptura do relacionamento amplia o risco de morte

Dados da pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, do FBSP, mostram que 40% das agressões contra mulheres são cometidas por companheiros ou maridos. Outros 26,8% têm como autores ex-companheiros ou ex-namorados.

Com o fim da convivência, o agressor passa a perseguir a vítima em outros ambientes. Para especialistas, essa migração da violência revela a dificuldade de alguns homens em lidar com a perda do controle sobre a vida da mulher.

Feminicídio reforça tentativa de manter supremacia masculina

A delegada Eugênia Villa, referência nacional no enfrentamento ao feminicídio, destaca que esse tipo de crime está diretamente ligado à manutenção da supremacia masculina. Segundo ela, o assassinato não ocorre por impulso ou impunidade, mas pela percepção de perda de poder.

À medida que mulheres ocupam com mais autonomia os espaços públicos, parte dos agressores reage com violência extrema. O recado implícito, segundo especialistas, é o de que a liberdade feminina ainda é combatida por estruturas de dominação baseadas no patriarcado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *