São Paulo registra alta nos feminicídios apesar de reforço policial

São Paulo registra alta nos feminicídios apesar de reforço policial

🕓 Última atualização em: 24/12/2025 às 07:58

O número de feminicídios em São Paulo registrou crescimento em 2025, mesmo com o aumento significativo das prisões de suspeitos de violência contra mulheres. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que 204 mulheres foram vítimas de feminicídio entre janeiro e outubro deste ano, alta de 6,8% em comparação aos 190 casos registrados no mesmo período de 2024. A média é de aproximadamente 20 mortes por mês no estado.

Estado prende mais suspeitos de agressão

No mesmo intervalo, São Paulo prendeu cerca de 11,7 mil suspeitos envolvidos em crimes de violência contra a mulher. O número representa um aumento de 36,7% em relação às 8,6 mil detenções contabilizadas entre janeiro e outubro do ano passado.

As prisões em flagrante diretamente ligadas a feminicídios também apresentaram crescimento, embora em ritmo menor. Foram 108 detenções neste ano, contra 99 no mesmo período de 2024, o que representa alta de 9%.

Expansão das delegacias especializadas

Segundo a SSP, o aumento das prisões está relacionado à ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), ao uso de tecnologias de investigação e à integração da rede de proteção às vítimas.

Atualmente, o estado conta com 142 DDMs em funcionamento, que passaram a operar de forma integrada com outras unidades policiais e serviços de apoio.

Reforço no efetivo e acolhimento das vítimas

As delegacias especializadas também receberam reforço no efetivo. Desde novembro do ano passado, 473 policiais civis — entre delegados, investigadores e escrivães — passaram a atuar nas DDMs.

A delegada Cristine Nascimento, da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, afirma que o acolhimento é um fator decisivo para que as vítimas busquem ajuda.

“A mulher procura a delegacia quando se sente segura e acolhida. Ter um espaço adequado e profissionais preparados é fundamental para que ela entre no ciclo de atendimento e consiga romper o ciclo de violência”, destacou.

Desafio segue no combate ao feminicídio

Apesar do avanço nas ações de repressão e prevenção, os dados indicam que o aumento das prisões ainda não foi suficiente para conter o crescimento dos feminicídios no estado. Especialistas apontam que o enfrentamento do problema exige, além da atuação policial, políticas públicas contínuas de prevenção, proteção e acompanhamento das vítimas.

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