Grupo criminoso manipula ordens judiciais e libera detentos em BH

Grupo criminoso manipula ordens judiciais e libera detentos em BH

🕓 Última atualização em: 24/12/2025 às 08:12

Uma organização criminosa conseguiu fraudar o sistema do Judiciário e liberar presos em Belo Horizonte após utilizar credenciais vinculadas a magistrados. O caso ocorreu no último sábado (20), quando quatro detentos deixaram o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira com ordens de soltura manipuladas.

Os criminosos haviam sido presos dias antes justamente por invadir e tentar fraudar sistemas da Justiça. O episódio levantou alerta sobre o uso indevido de logins e senhas legítimos, mas o Conselho Nacional de Justiça afirmou que não houve falha estrutural nem invasão sistêmica.

Uso fraudulento de credenciais judiciais

De acordo com as investigações, hackers e estelionatários que integram a quadrilha tiveram acesso a credenciais reais de magistrados, utilizadas para entrar nos sistemas vinculados ao Judiciário. Ainda não se sabe como esses dados foram obtidos.

Com esse acesso indevido, o grupo conseguiu simular decisões judiciais, alterar informações processuais e inserir ordens falsas no Banco Nacional de Mandados de Prisão, plataforma mantida pelo CNJ.

Entre os crimes investigados estão:

H3 – Principais fraudes apuradas

  • Emissão fraudulenta de alvarás de soltura
  • Alteração de dados de mandados de prisão
  • Tentativas de desbloqueio de valores retidos judicialmente
  • Liberação indevida de veículos apreendidos

Segundo investigadores, essas ações poderiam causar prejuízos ao sistema judicial e facilitar a atuação de organizações criminosas. As ordens falsas foram inseridas no sistema nacional do CNJ e, posteriormente, encaminhadas à Secretaria de Justiça de Minas Gerais, responsável pela administração do sistema prisional. Com base nesses dados, os detentos acabaram sendo liberados de forma irregular.

Situação dos presos envolvidos

Dos quatro presos que deixaram o Ceresp Gameleira, um foi recapturado até a noite de terça-feira (23). Os outros três permanecem foragidos e são procurados pelas forças de segurança.

Os detentos haviam dado entrada no sistema prisional em 10 de dezembro, após serem presos sob suspeita de integrar a organização criminosa responsável pela fraude. Em nota oficial, o Conselho Nacional de Justiça informou que não houve invasão estrutural nem vulnerabilidade no sistema. Segundo o órgão, o que ocorreu foi o uso indevido de credenciais legítimas.

O CNJ afirmou ainda que todas as decisões falsas foram identificadas e anuladas em menos de 24 horas e que não há indícios de participação de servidores ou magistrados no esquema.

Tribunal de Justiça anulou decisões falsas

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que os alvarás fraudulentos foram anulados e que os mandados de prisão dos detentos foram restabelecidos. O tribunal também confirmou que nenhuma das ordens partiu de juízes da Corte.

Após o episódio, o governo de Minas Gerais anunciou que passará a verificar com mais rigor a autenticidade das ordens de soltura, o que pode atrasar temporariamente o cumprimento de decisões judiciais enquanto os protocolos são revisados.

Caso segue sob investigação

A Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais e o Tribunal de Justiça informaram que as investigações continuam em andamento para identificar todos os envolvidos, apurar como as credenciais foram obtidas e evitar novas fraudes.

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