O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve passar por uma ampla reformulação ao longo dos próximos meses. Levantamento feito no Palácio do Planalto indica que até 24 ministros podem deixar seus cargos para disputar as eleições deste ano.
A movimentação é motivada pelas regras da legislação eleitoral, que exigem a desincompatibilização de ministros até seis meses antes do pleito, prazo que termina em 4 de abril.
Primeira mudança já está confirmada no Ministério da Justiça
A primeira alteração deve ocorrer ainda nas próximas semanas. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, comunicou ao presidente a decisão de deixar o cargo, o que obrigará o Planalto a definir um substituto em curto prazo.
A saída antecipada abre caminho para uma reforma mais ampla na Esplanada, considerada estratégica para o período eleitoral.
Além da Justiça, o governo trabalha com a possibilidade de trocas em outras 22 pastas, cujos titulares avaliam disputar cargos eletivos em outubro. Veja os principais cenários em análise:
Ministros cotados para disputar eleições
- Casa Civil – Rui Costa deve concorrer ao Senado pela Bahia.
- Relações Institucionais – Gleisi Hoffmann planeja disputar a reeleição como deputada federal pelo Paraná.
- Secretaria de Comunicação – Sidônio Palmeira deve deixar o governo para atuar no marketing da campanha presidencial.
- Fazenda – Fernando Haddad avalia candidatura ao Senado ou ao governo de São Paulo.
- Educação – Camilo Santana é cotado para disputar o governo do Ceará.
- Transportes – Renan Filho deve concorrer ao governo de Alagoas.
- Esporte – André Fufuca avalia candidatura ao Senado ou ao governo do Maranhão.
- Portos e Aeroportos – Silvio Costa Filho planeja disputar o Senado por Pernambuco.
- Integração Nacional – Waldez Góes é cotado para o Senado pelo Amapá.
- Planejamento – Simone Tebet pode disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.
- Meio Ambiente – Marina Silva também é cotada para o Senado.
- Cidades – Jader Filho deve concorrer a deputado federal pelo Pará.
- Agricultura – Carlos Fávaro pretende disputar a reeleição ao Senado por Mato Grosso.
- Pesca – André de Paula será candidato a deputado federal por Pernambuco.
- Igualdade Racial – Anielle Franco avalia disputar vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro.
- Desenvolvimento Agrário – Paulo Teixeira deve tentar a reeleição como deputado federal por São Paulo.
- Empreendedorismo – Márcio França avalia candidatura ao governo ou outro cargo em São Paulo.
- Minas e Energia – Alexandre Silveira planeja disputar o Senado por Minas Gerais.
- Direitos Humanos – Macaé Evaristo deve concorrer a deputada estadual em Minas Gerais.
- Povos Indígenas – Sonia Guajajara deve buscar a reeleição como deputada federal por São Paulo.
- Cultura – Margareth Menezes é cotada para disputar vaga na Câmara pela Bahia, mas ainda resiste.
- Desenvolvimento, Indústria e Comércio – Geraldo Alckmin pode disputar a reeleição como vice-presidente ou outro cargo por São Paulo.
- Previdência Social – Wolney Queiroz deve concorrer a deputado federal por Pernambuco.
Ministros que devem permanecer no governo
Em sentido contrário, dois ministros que atualmente possuem mandato parlamentar já indicaram que não pretendem deixar o governo para disputar eleições:
- Guilherme Boulos, recém-nomeado para a Secretaria-Geral da Presidência;
- Alexandre Padilha, que seguirá à frente do Ministério da Saúde.
A expectativa no Planalto é que a reforma ministerial seja concentrada no primeiro trimestre, permitindo ao governo reorganizar a base política e manter estabilidade administrativa durante o período eleitoral.



