Governo decreta Estado de Sítio na Guatemala após ataques de gangues

Governo decreta Estado de Sítio na Guatemala após ataques de gangues

🕓 Última atualização em: 19/01/2026 às 09:49

A Guatemala enfrenta um momento de extrema tensão na segurança pública. O presidente Bernardo Arévalo anunciou, neste domingo (18), a implementação do Estado de Sítio em todo o território nacional. A medida drástica responde a uma série de rebeliões coordenadas por facções criminosas em três unidades prisionais, que resultaram na morte de oito policiais.

O decreto, que terá validade inicial de 30 dias, visa conter a ofensiva das gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha (MS-13). Ambos os grupos são classificados como organizações terroristas e são os principais alvos da nova estratégia de repressão estatal.

O que muda com o Estado de Sítio na Guatemala?

Com a suspensão temporária de garantias constitucionais, o governo ganha poderes extraordinários para enfrentar o crime organizado. As principais mudanças incluem:

  • Suspensão de direitos: Estão temporariamente suspensos os direitos de reunião e manifestação.
  • Detenções facilitadas: Autoridades podem realizar prisões e interrogatórios sem a necessidade de mandados judiciais prévios.
  • Ratificação política: Para seguir em vigor, a medida precisa ser validada pelo Congresso guatemalteco.

Retomada das prisões e resgate de reféns

As rebeliões começaram no último sábado, quando membros de gangues tomaram o controle de três presídios, mantendo 46 reféns. A exigência dos criminosos era a transferência de lideranças para unidades com segurança menos rigorosa.

A resposta do Estado foi pesada. Tropas de elite, utilizando tanques e gás lacrimogêneo, realizaram operações táticas para retomar o controle das unidades:

  1. Renovación 1 (Escuintla): Unidade de segurança máxima retomada na manhã de domingo.
  2. Fraijanes 2 e Preventivo: Operações bem-sucedidas garantiram a libertação de 37 reféns nessas localidades.

Entre os capturados está Aldo Dupie, o “El Lobo”, apontado como um dos principais líderes da Barrio-18. Imagens divulgadas pelo Ministério do Interior mostram o criminoso sendo algemado durante a intervenção.


Exército nas ruas e impacto na população

O governo guatemalteco adotou uma postura de “tolerância zero”. O ministro da Defesa, general Henry Sáenz, confirmou que as Forças Armadas permanecerão patrulhando as cidades para sufocar qualquer tentativa de retaliação.

Como medida de precaução:

  • Aulas suspensas: O sistema educacional não funcionará nesta segunda-feira.
  • Alerta internacional: A embaixada dos EUA orientou que seus funcionários evitem aglomerações e busquem abrigo.

Contexto de violência na região

A Guatemala encerrou 2025 com uma taxa de 16,1 homicídios por 100 mil habitantes, um índice que supera o dobro da média mundial. A fuga de 20 líderes criminosos em outubro passado já havia colocado as forças de segurança em alerta máximo, culminando na atual crise carcerária.


Resumo dos fatos:

  • Vítimas: 8 policiais mortos e 10 feridos.
  • Reféns: 46 pessoas libertadas após intervenção policial.
  • Grupos envolvidos: Barrio 18 e MS-13.
  • Duração do decreto: 30 dias (sujeito a ratificação).

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