A Guatemala enfrenta um momento de extrema tensão na segurança pública. O presidente Bernardo Arévalo anunciou, neste domingo (18), a implementação do Estado de Sítio em todo o território nacional. A medida drástica responde a uma série de rebeliões coordenadas por facções criminosas em três unidades prisionais, que resultaram na morte de oito policiais.
O decreto, que terá validade inicial de 30 dias, visa conter a ofensiva das gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha (MS-13). Ambos os grupos são classificados como organizações terroristas e são os principais alvos da nova estratégia de repressão estatal.
O que muda com o Estado de Sítio na Guatemala?
Com a suspensão temporária de garantias constitucionais, o governo ganha poderes extraordinários para enfrentar o crime organizado. As principais mudanças incluem:
- Suspensão de direitos: Estão temporariamente suspensos os direitos de reunião e manifestação.
- Detenções facilitadas: Autoridades podem realizar prisões e interrogatórios sem a necessidade de mandados judiciais prévios.
- Ratificação política: Para seguir em vigor, a medida precisa ser validada pelo Congresso guatemalteco.
Retomada das prisões e resgate de reféns
As rebeliões começaram no último sábado, quando membros de gangues tomaram o controle de três presídios, mantendo 46 reféns. A exigência dos criminosos era a transferência de lideranças para unidades com segurança menos rigorosa.
A resposta do Estado foi pesada. Tropas de elite, utilizando tanques e gás lacrimogêneo, realizaram operações táticas para retomar o controle das unidades:
- Renovación 1 (Escuintla): Unidade de segurança máxima retomada na manhã de domingo.
- Fraijanes 2 e Preventivo: Operações bem-sucedidas garantiram a libertação de 37 reféns nessas localidades.
Entre os capturados está Aldo Dupie, o “El Lobo”, apontado como um dos principais líderes da Barrio-18. Imagens divulgadas pelo Ministério do Interior mostram o criminoso sendo algemado durante a intervenção.
Exército nas ruas e impacto na população
O governo guatemalteco adotou uma postura de “tolerância zero”. O ministro da Defesa, general Henry Sáenz, confirmou que as Forças Armadas permanecerão patrulhando as cidades para sufocar qualquer tentativa de retaliação.
Como medida de precaução:
- Aulas suspensas: O sistema educacional não funcionará nesta segunda-feira.
- Alerta internacional: A embaixada dos EUA orientou que seus funcionários evitem aglomerações e busquem abrigo.
Contexto de violência na região
A Guatemala encerrou 2025 com uma taxa de 16,1 homicídios por 100 mil habitantes, um índice que supera o dobro da média mundial. A fuga de 20 líderes criminosos em outubro passado já havia colocado as forças de segurança em alerta máximo, culminando na atual crise carcerária.
Resumo dos fatos:
- Vítimas: 8 policiais mortos e 10 feridos.
- Reféns: 46 pessoas libertadas após intervenção policial.
- Grupos envolvidos: Barrio 18 e MS-13.
- Duração do decreto: 30 dias (sujeito a ratificação).



