Mesmo após o anúncio de uma trégua mediada internacionalmente, a Faixa de Gaza encerra 2025 e inicia 2026 sob uma “paz armada” e ataques intermitentes. O acordo de cessar-fogo, que teve o retorno de Donald Trump à Casa Branca como um dos principais catalisadores, ainda não conseguiu estancar totalmente a violência na região, mantendo a crise humanitária em níveis críticos.
O Acordo de Paz de 2025: Entenda as Fases
O pacto, firmado oficialmente em 9 de outubro, foi dividido em três etapas estratégicas. A primeira fase, atualmente em vigor, foca no cessar-fogo imediato e na libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos em troca de reféns israelenses.
- Mediação: O processo contou com o apoio diplomático do Catar, Egito e Turquia.
- Plano Trump: O presidente americano apresentou uma proposta de 20 pontos, incluindo a criação de uma comissão de paz e a polêmica desmilitarização do Hamas.
Embora Trump afirme que a segunda fase já está em curso, especialistas e órgãos locais apontam que o cumprimento integral dos termos enfrenta resistência de ambos os lados.
O Custo Humano e as Violações da Trégua
Dados do Ministério da Saúde de Gaza indicam que, desde o início do conflito em outubro de 2023, o número de mortos ultrapassa a marca de 70 mil pessoas. Mesmo após a assinatura do acordo em outubro de 2025, a contagem não parou: estima-se que 356 palestinos tenham morrido em ofensivas recentes.
Israel justifica as operações como ataques cirúrgicos para eliminar ameaças imediatas e células remanescentes do Hamas. Por outro lado, a UNRWA (Agência da ONU para Refugiados Palestinos) alerta que a fome continua a assolar 1,6 milhão de pessoas, denunciando que suprimentos essenciais seguem retidos na fronteira.
Perspectivas e o Impasse da Desmilitarização
Um dos maiores obstáculos para a paz duradoura é a exigência de desmilitarização do Hamas. Para João Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel-Aviv e assessor do Instituto Brasil-Israel, uma rendição bélica total do grupo é improvável.
“O Hamas pode até realizar uma desmilitarização de fachada sob pressão de aliados como Catar e Turquia, mas dificilmente abandonará as armas por completo, pois isso fere sua base ideológica”, analisa Miragaya.
O especialista prevê que o cenário mais provável para 2026 é a estagnação na primeira fase do acordo, criando um estado de “pausa permanente” sem que as etapas de reconstrução e solução política definitiva saiam do papel.
Histórico do Conflito
A atual fase do conflito no Oriente Médio teve início em 7 de outubro de 2023, quando o grupo palestino Hamas realizou um ataque de grande escala contra Israel, deixando cerca de 1.200 mortos e dezenas de civis sequestrados. O episódio provocou uma rápida escalada da violência na região.
Desde então, a Faixa de Gaza tornou-se o principal foco dos combates e de uma grave crise humanitária. Bombardeios, operações terrestres e restrições prolongadas afetaram serviços essenciais, como saúde, abastecimento de água, energia e alimentos, além de provocar deslocamentos em massa da população.
Organizações internacionais alertam para o impacto crescente sobre civis, especialmente mulheres e crianças, enquanto o acesso à ajuda humanitária segue limitado. Israel afirma que as ações militares buscam enfraquecer o Hamas e prevenir novos ataques. Pela intensidade da violência e pelas consequências humanitárias, o conflito é considerado um dos mais graves do século XXI.



