Putin diz que Rússia está pronta para guerra com a Europa

Putin diz que Rússia está pronta para guerra com a Europa

🕓 Última atualização em: 03/12/2025 às 08:44

Vladimir Putin afirmou nesta terça-feira (2) que a Rússia está pronta para enfrentar uma possível guerra contra países europeus. A declaração aconteceu após o presidente russo recusar pontos apresentados pela Ucrânia e por líderes da União Europeia como resposta ao plano de paz elaborado originalmente pelo governo de Donald Trump.

O encontro ocorreu em Moscou com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, responsável por entregar a versão revisada do plano, modificada após críticas de Kiev e da Europa. Para Putin, a contraproposta demonstra falta de interesse europeu em encerrar o conflito.
“Se a Europa quiser lutar uma guerra, estamos prontos agora”, afirmou.


Plano original favorecia Moscou, dizem europeus

A proposta inicial escrita por Trump apresentava 28 cláusulas que, segundo Ucrânia e UE, atendiam amplamente às demandas russas. Entre elas estavam:

  • cessão de aproximadamente 20% do território ucraniano à Rússia;
  • garantia de que Kiev não ingressaria na Otan;
  • redução do Exército ucraniano de 900 mil para 600 mil militares.

Na reformulação feita pelos europeus, o contingente seria reduzido para 800 mil, o que ainda foi considerado insuficiente por Moscou. Putin classificou as alterações como “totalmente inaceitáveis”, embora não tenha detalhado quais cláusulas rejeitou.


Tensões militares no nível mais alto desde o início da guerra

O posicionamento russo surge em meio ao aumento da tensão entre Moscou e países europeus, após incidentes com drones e o prolongamento da guerra iniciada em 2022. Membros da União Europeia intensificaram investimentos em defesa e o comando da Otan chegou a cogitar ataques preventivos contra tropas russas, alegando resposta a ações de guerra híbrida — declaração que gerou forte reação do Kremlin.


Reunião com enviado dos EUA não avança no cessar-fogo

Steve Witkoff apresentou o plano revisado a Putin durante uma reunião que se estendeu por várias horas. Após o encontro, o governo russo informou que nenhum progresso foi alcançado nas negociações de paz. Putin reafirmou que está disposto a negociar, mas alertou que, caso a Ucrânia recuse acordo, a Rússia poderá expandir ainda mais seu controle territorial.

O presidente russo chegou a comemorar recentemente a captura de uma cidade estratégica — informação contestada por Kiev.


Situação militar no front: Rússia reivindica novos avanços

Enquanto as negociações seguem travadas, o exército russo afirma ter conquistado importantes posições no leste ucraniano. Na segunda-feira (1º), Moscou anunciou o controle de Pokrovsk, após quase um ano de batalhas intensas. O Ministério da Defesa divulgou imagens de militares hasteando bandeiras na praça central, embora a Ucrânia negue perda total do território.

Soldados ucranianos relataram à Reuters que ainda controlam o norte da cidade, e o 7º Corpo de Reação Rápida afirma realizar ofensivas na porção sul, onde russos predominam. A Rússia também afirma ter avançado sobre Vovchansk, mas autoridades ucranianas e agências internacionais não confirmam totalmente a ocupação.

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