Em evento realizado nesta terça-feira (20/1), na cidade de Rio Grande (RS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra a violência doméstica e estabeleceu uma diretriz clara para sua equipe de governo: o combate à violência contra a mulher deve ser prioridade absoluta nos discursos oficiais.
A estratégia não é apenas administrativa, mas também eleitoral. Ao reforçar o posicionamento, Lula sinaliza que a pauta será um dos pilares centrais de sua campanha para a reeleição em 2026.
“Quem bate em mulher não precisa votar em mim”
Durante a cerimônia de anúncio de investimentos para a indústria naval, o chefe do Executivo reiterou uma frase que tem se tornado sua marca registrada sobre o tema: “Quem bater em mulher, não precisa votar em mim”.
Lula destacou que a orientação se estende além do primeiro escalão do governo, alcançando também as bases sindicais:
“Cada ministro meu sabe que, em cada discurso, ele tem que falar da violência contra a mulher. Cada dirigente sindical, ao defender salários na porta da fábrica, precisa pedir que o trabalhador não seja violento em casa. Não há justificativa para essa agressividade”, afirmou o presidente.
A influência de Janja e o papel dos ministérios
A intensificação dessa pauta no Palácio do Planalto reflete a influência direta da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que tem articulado a ampliação da agenda de proteção feminina.
Em sua fala, Lula também defendeu a estrutura de seu governo, justificando a existência de pastas específicas como os Ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial. Segundo ele, essas instituições são essenciais para corrigir dívidas históricas e preconceitos estruturais:
- Representatividade: Mulheres compõem 52% da população brasileira.
- Combate ao crime: Aumento do foco no enfrentamento ao feminicídio e ao desrespeito de gênero.
- Reparação: Ações diretas para a população negra, que representa metade do país.
Pacto nacional contra a violência
O presidente encerrou reforçando a necessidade de uma mudança de postura masculina e propôs a criação de um pacto nacional. A ideia é transformar a luta contra o machismo em um movimento de massa que anteceda o pleito de 2026, isolando agressores e fortalecendo políticas públicas de segurança e acolhimento.



