Plenário livra Zambelli da cassação e aplica suspensão a Glauber

Plenário livra Zambelli da cassação e aplica suspensão a Glauber

🕓 Última atualização em: 11/12/2025 às 08:41

Em uma sessão que atravessou a noite desta quarta (10) e avançou pela madrugada desta quinta-feira (11), a Câmara dos Deputados analisou dois processos disciplinares que colocaram parlamentares de campos políticos opostos no centro do debate. As decisões movimentaram o plenário e expuseram novas disputas internas na Casa.

Os deputados decidiram manter o mandato de Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa na Itália. A proposta de cassação não alcançou os 257 votos necessários — foram 227 votos favoráveis à perda do mandato e 170 contrários, abaixo da maioria absoluta exigida pela Constituição.

Mandato de Carla Zambelli é preservado pelo plenário

Zambelli está detida desde julho, após deixar o Brasil ao ser condenada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Ela também responde por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal em outro processo criminal.

Antes de chegar ao plenário, o caso tinha sido analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relatório inicial, de Diego Garcia (Republicanos-PR), recomendava o arquivamento por entender que a cassação não estava caracterizada. A CCJ, porém, rejeitou esse parecer e aprovou novo relatório apresentado por Claudio Cajado (PP-BA), que defendia a perda do mandato sob a justificativa de “necessidade político-administrativa”, já que Zambelli está impossibilitada de exercer suas funções.

Mesmo assim, o plenário barrou a cassação, permitindo que a deputada siga com o mandato, embora sem condições práticas de atuar nas sessões e comissões.

Quem é Carla Zambelli? Trajetória política, condenações e situação atual

Carla Zambelli Salgado de Oliveira tornou-se uma figura de destaque no cenário político brasileiro a partir de sua atuação como ativista. Ela foi uma das fundadoras do movimento Nas Ruas, grupo que ganhou visibilidade nacional ao participar das manifestações que pressionaram pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016.

Zambelli ingressou formalmente na política em 2018, quando foi eleita deputada federal pelo PSL, partido que impulsionou a candidatura de Jair Bolsonaro naquele ano. Em 2022, garantiu a reeleição já filiada ao PL, mantendo-se alinhada ao campo bolsonarista e à pauta conservadora no Congresso. Sua atuação sempre esteve associada ao núcleo mais próximo do ex-presidente.

Condenações e crise jurídica

Em 2025, o nome de Zambelli voltou ao centro das atenções devido a um conjunto de investigações e processos criminais. O Supremo Tribunal Federal (STF) a condenou a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ação realizada por um hacker que, segundo as investigações, teria agido a seu pedido. A parlamentar também responde a outros processos, incluindo acusações de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil em julho de 2025 e seguiu para a Itália, país do qual possui cidadania. Ela acabou presa em Roma e permanece detida enquanto aguarda a decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. Sua defesa recorreu a instâncias internacionais e a deputada chegou a iniciar uma greve de fome como forma de pressão para evitar o retorno ao Brasil sob custódia.

Glauber Braga é suspenso por seis meses

Pouco antes da votação sobre Zambelli, o plenário aprovou, por 318 votos a 141, a suspensão por seis meses do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). O processo tratava de uma representação por quebra de decoro após uma briga com um integrante do MBL dentro do Congresso Nacional.A suspensão só foi possível após a aprovação de um destaque apresentado pelo PSOL, que retirou do texto a possibilidade de cassação — medida que poderia tornar Braga inelegível por oito anos.

O parlamentar afirmou ter reagido a insultos direcionados à sua mãe. O episódio também gerou uma representação do partido Novo no Conselho de Ética Na noite anterior ao julgamento, Glauber ocupou a mesa da presidência em um ato de protesto e acabou retirado à força por policiais legislativos, após ordem da Mesa Diretora. Ele, Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) realizaram exame de corpo de delito depois da confusão.

Quem é Glauber Braga? Trajetória, atuação política e controvérsias

Glauber de Medeiros Braga é um dos nomes mais conhecidos do campo progressista na Câmara dos Deputados. Filiado ao PSOL, o parlamentar representa o Rio de Janeiro e construiu sua carreira com discursos contundentes, confrontos frequentes no plenário e forte atuação em temas ligados a direitos humanos e críticas a governos de diferentes espectros.

Nascido em Nova Friburgo (RJ), Glauber Braga formou-se em Direito e iniciou sua militância ainda jovem, participando de movimentos estudantis e organizações sociais voltadas à defesa de políticas públicas e à fiscalização do poder público.

Braga entrou para a vida institucional em 2004, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Quatro anos depois, conquistou sua primeira cadeira na Câmara dos Deputados — espaço onde se manteve com reeleições consecutivas. Ao longo da trajetória, passou pelo PSB antes de se filiar ao PSOL, partido pelo qual se consolidou como um dos parlamentares mais combativos da legenda.

Como funciona o processo disciplinar na Câmara

Decisões de cassação ou suspensão seguem um rito rigoroso no Legislativo. Os processos começam no Conselho de Ética, passam pela CCJ e, nos casos mais graves, chegam ao plenário, onde é exigida maioria absoluta para cassação. Nos últimos anos, a Câmara tem sido pressionada a dar respostas mais rápidas em casos de quebra de decoro, especialmente após episódios envolvendo violência política e ataques a instituições democráticas.

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