O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda alternativas para assumir o controle da Groenlândia sem recorrer a uma ação militar. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante conversa com parlamentares do Partido Republicano nesta semana.
Segundo Rubio, a principal diretriz do governo é avaliar a possibilidade de aquisição do território, atualmente sob soberania da Dinamarca, em vez de uma intervenção armada.
Governo analisa opções para controlar a Groenlândia
O interesse de Trump pela ilha ganhou força nos últimos dias após reuniões internas com membros do alto escalão do governo. Na terça-feira (6/1), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que diferentes cenários estão sendo avaliados, inclusive alternativas de pressão política e diplomática.
Apesar disso, fontes do governo indicam que a via militar é considerada indesejável, especialmente pelo fato de a Dinamarca integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte, o que poderia gerar uma crise sem precedentes entre aliados históricos.
Rubio detalha proposta a parlamentares republicanos
Durante reunião realizada na segunda-feira (5/1), Marco Rubio relatou que Trump solicitou estudos técnicos e jurídicos sobre a viabilidade de uma negociação formal para a compra da Groenlândia. O plano foi divulgado inicialmente pelo The New York Times.
De acordo com o secretário de Estado, o governo considera a região estratégica diante da intensificação da disputa geopolítica no Ártico, envolvendo potências como Rússia e China.
Interesse dos EUA na Groenlândia não é novo
A tentativa de ampliar a presença norte-americana na Groenlândia já havia sido mencionada por Trump durante seu primeiro mandato. Agora, com o retorno à Casa Branca, o presidente voltou a defender publicamente a necessidade de maior controle sobre áreas-chave do Ártico.
A ilha ocupa uma posição geográfica central em uma região cada vez mais relevante para segurança global, rotas comerciais e defesa estratégica.
Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na Groenlândia, considerada essencial para o sistema de monitoramento e defesa antimísseis voltado ao hemisfério norte. A instalação reforça o interesse histórico de Washington na região.
Recursos naturais e impacto das mudanças climáticas
Com o avanço do aquecimento global, o derretimento do gelo tem aberto novas rotas marítimas antes inacessíveis, transformando o Ártico em um corredor logístico e militar estratégico entre o Atlântico e o Polo Norte.
Além disso, a Groenlândia concentra reservas significativas de minerais de terras raras, fundamentais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, smartphones e veículos elétricos. Atualmente, esse mercado é amplamente dominado pela China.
Estudos geológicos também indicam potencial para exploração de petróleo e gás natural na plataforma continental da ilha.
Obstáculos legais e políticos à anexação
Apesar do discurso de Trump de que há “boas chances” de os Estados Unidos assumirem o controle da Groenlândia sem o uso da força, especialistas apontam grandes entraves legais e diplomáticos.
Uma anexação forçada violaria tratados internacionais e princípios centrais da Otan, além de provocar forte reação da comunidade internacional.
A Groenlândia possui autonomia desde 1979 e, a partir de 2009, conquistou o direito de realizar referendos sobre independência. No entanto, a política externa, a defesa e parte significativa da economia ainda dependem de Copenhague, que fornece subsídios essenciais ao território.



