Embarcação navega entre blocos de gelo no Ártico, imagem ilustrativa sobre a Groenlândia e disputas geopolíticas na região

Compra da Groenlândia é avaliada por Trump, diz secretário

🕓 Última atualização em: 07/01/2026 às 08:48

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda alternativas para assumir o controle da Groenlândia sem recorrer a uma ação militar. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante conversa com parlamentares do Partido Republicano nesta semana.

Segundo Rubio, a principal diretriz do governo é avaliar a possibilidade de aquisição do território, atualmente sob soberania da Dinamarca, em vez de uma intervenção armada.

Governo analisa opções para controlar a Groenlândia

O interesse de Trump pela ilha ganhou força nos últimos dias após reuniões internas com membros do alto escalão do governo. Na terça-feira (6/1), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que diferentes cenários estão sendo avaliados, inclusive alternativas de pressão política e diplomática.

Apesar disso, fontes do governo indicam que a via militar é considerada indesejável, especialmente pelo fato de a Dinamarca integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte, o que poderia gerar uma crise sem precedentes entre aliados históricos.

Rubio detalha proposta a parlamentares republicanos

Durante reunião realizada na segunda-feira (5/1), Marco Rubio relatou que Trump solicitou estudos técnicos e jurídicos sobre a viabilidade de uma negociação formal para a compra da Groenlândia. O plano foi divulgado inicialmente pelo The New York Times.

De acordo com o secretário de Estado, o governo considera a região estratégica diante da intensificação da disputa geopolítica no Ártico, envolvendo potências como Rússia e China.

Interesse dos EUA na Groenlândia não é novo

A tentativa de ampliar a presença norte-americana na Groenlândia já havia sido mencionada por Trump durante seu primeiro mandato. Agora, com o retorno à Casa Branca, o presidente voltou a defender publicamente a necessidade de maior controle sobre áreas-chave do Ártico.

A ilha ocupa uma posição geográfica central em uma região cada vez mais relevante para segurança global, rotas comerciais e defesa estratégica.

Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na Groenlândia, considerada essencial para o sistema de monitoramento e defesa antimísseis voltado ao hemisfério norte. A instalação reforça o interesse histórico de Washington na região.

Recursos naturais e impacto das mudanças climáticas

Com o avanço do aquecimento global, o derretimento do gelo tem aberto novas rotas marítimas antes inacessíveis, transformando o Ártico em um corredor logístico e militar estratégico entre o Atlântico e o Polo Norte.

Além disso, a Groenlândia concentra reservas significativas de minerais de terras raras, fundamentais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, smartphones e veículos elétricos. Atualmente, esse mercado é amplamente dominado pela China.

Estudos geológicos também indicam potencial para exploração de petróleo e gás natural na plataforma continental da ilha.

Obstáculos legais e políticos à anexação

Apesar do discurso de Trump de que há “boas chances” de os Estados Unidos assumirem o controle da Groenlândia sem o uso da força, especialistas apontam grandes entraves legais e diplomáticos.

Uma anexação forçada violaria tratados internacionais e princípios centrais da Otan, além de provocar forte reação da comunidade internacional.

A Groenlândia possui autonomia desde 1979 e, a partir de 2009, conquistou o direito de realizar referendos sobre independência. No entanto, a política externa, a defesa e parte significativa da economia ainda dependem de Copenhague, que fornece subsídios essenciais ao território.

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