Fachada do Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, presídio federal dos EUA onde Nicolás Maduro está detido

Antes de Maduro, brasileiro famoso passou pelo mesmo presídio

🕓 Última atualização em: 06/01/2026 às 08:21

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está custodiado em uma penitenciária federal localizada no bairro do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos. A unidade é conhecida por abrigar detentos de grande notoriedade internacional e por enfrentar denúncias recorrentes de superlotação, violência e condições precárias.

O local já recebeu, entre 2018 e 2020, um brasileiro de destaque no cenário esportivo: o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin.

Ex-dirigente da CBF cumpriu pena no mesmo presídio

José Maria Marin ficou detido no Metropolitan Detention Center (MDC, na sigla em inglês) após ser condenado por crimes ligados ao escândalo internacional de corrupção conhecido como Fifagate.

O ex-dirigente foi considerado culpado por seis das sete acusações apresentadas pela Justiça norte-americana, entre elas conspiração para fraude bancária e lavagem de dinheiro. As investigações apontaram que Marin recebeu milhões de dólares em propina relacionados a contratos de competições como a Copa do Brasil, a Libertadores e a Copa América.

Caso Fifagate expôs corrupção no futebol mundial

O Fifagate foi uma operação conduzida pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos que revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo dirigentes da FIFA, da Conmebol, da Concacaf e empresas de marketing esportivo.

A investigação ganhou repercussão global em maio de 2015, quando dirigentes da Fifa foram presos em Zurique, na Suíça, por ordem da Justiça americana. Marin estava entre os detidos e, posteriormente, foi extraditado para os Estados Unidos.

Condenação e prisão nos Estados Unidos

Após o avanço do processo, Marin chegou a cumprir prisão domiciliar, mas acabou condenado em dezembro de 2017, aos 86 anos, a quatro anos de reclusão. A sentença incluiu multa milionária e a devolução de valores obtidos ilegalmente durante sua gestão à frente da CBF.

A Justiça dos EUA classificou os crimes como parte de um esquema de corrupção estrutural no futebol, destacando o uso de cargos de poder para enriquecimento ilícito. Marin permaneceu preso no MDC até 2020, quando obteve liberdade antecipada por razões humanitárias durante a pandemia de Covid-19.

De volta ao Brasil, o ex-dirigente sofreu um acidente vascular cerebral em 2023 e morreu em julho de 2025, aos 93 anos.

Presídio é conhecido por abrigar presos famosos

Apesar das denúncias sobre as condições internas, o Metropolitan Detention Center é frequentemente utilizado para custodiar presos de grande visibilidade. Entre os detentos que já passaram pela unidade estão artistas, políticos e figuras centrais do crime organizado internacional.

O local já recebeu nomes como os rappers R. Kelly e Sean Combs, além do ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández e do ex-secretário de Segurança Pública do México Genaro García Luna.

O narcotraficante mexicano Joaquín Guzmán, conhecido como “El Chapo”, também esteve detido no local, assim como membros da Al Qaeda presos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Estrutura e funcionamento do MDC do Brooklyn

Construído na década de 1990, o MDC ocupa uma área próxima ao porto de Nova York e foi criado para reduzir a superlotação do sistema carcerário da cidade. Embora tenha sido projetado principalmente para presos provisórios, a unidade também abriga condenados a penas de curta duração.

O complexo é cercado por estruturas de aço, possui vigilância reforçada e conta com áreas médicas, espaços para atividades físicas e biblioteca. No entanto, relatos de organizações de direitos humanos e da imprensa internacional apontam que os detentos passam a maior parte do dia confinados em celas pequenas.

Denúncias de violência e superlotação

Dados do Federal Bureau of Prisons indicam que o MDC opera acima da capacidade prevista, com mais de 1,3 mil presos, apesar de ter sido projetado para cerca de mil detentos.

A unidade enfrenta denúncias frequentes de falta de funcionários, violência entre presos e circulação de produtos ilícitos. Documentos judiciais revelaram que, em 2024, o presídio operava com pouco mais da metade do efetivo necessário. No mesmo ano, ao menos três detentos morreram em episódios violentos dentro da unidade.

Investigações recentes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos também apontaram esquemas de corrupção envolvendo presos e ex-agentes penitenciários, ampliando as críticas sobre a gestão do local.

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