Papa Leão XIV alerta para escalada de violência e exige cessar-fogo

Papa Leão XIV alerta para violência e exige cessar-fogo

🕓 Última atualização em: 02/12/2025 às 09:52

O papa Leão XIV fez um apelo nesta terça-feira (2) por “novas abordagens” capazes de romper o ciclo de violência no Oriente Médio e pediu o fim imediato dos “ataques e hostilidades” no Líbano. O país tem sido alvo de bombardeios israelenses, mesmo sob o cessar-fogo firmado entre Israel e o grupo Hezbollah.

Durante a homilia celebrada em Beirute diante de cerca de 150 mil fiéis — último compromisso de sua primeira viagem internacional como pontífice — Leão XIV afirmou que a região precisa abandonar a lógica da vingança e reconstruir caminhos de reconciliação.

“O Oriente Médio necessita de maneiras inéditas de rejeitar a mentalidade de violência e superar divisões políticas, sociais e religiosas. O conflito prolonga o sofrimento e gera apenas resultados devastadores. Precisamos educar nossos corações para a paz”, declarou, sem detalhar que iniciativas poderiam compor essas “novas abordagens”.

Após a celebração, o papa retornou ao Vaticano, encerrando um trajeto que incluiu passagens pela Turquia e pelo próprio Líbano, onde reforçou a necessidade de diálogo inter-religioso e defendou a convivência pacífica entre diferentes tradições de fé.

Apelo por fim dos ataques ao Líbano

Na missa desta terça, Leão XIV renovou o pedido pelo fim dos ataques no território libanês. O país enfrenta, há mais de um ano, bombardeios atribuídos a Israel, que acusa o Hezbollah de reorganizar forças no sul do país e ameaçar sua segurança nacional. O ataque mais recente ocorreu em 23 de novembro, quando o chefe militar do grupo foi morto na periferia sul de Beirute.

“Que cessem os ataques e as hostilidades. A luta armada não traz benefícios. As armas são destrutivas; o diálogo e a mediação constroem. A paz deve ser escolhida como caminho”, afirmou o pontífice, sem citar diretamente os envolvidos no conflito.

Leão XIV também encorajou os cristãos do Oriente Médio, minoria na região, a “serem corajosos” diante do agravamento das tensões.

Encontro inter-religioso reforça mensagem de unidade

Na segunda-feira, o papa participou de um encontro inter-religioso na Praça dos Mártires, em Beirute, ao lado de patriarcas cristãos e líderes muçulmanos sunitas, xiitas e drusos. A cerimônia — marcada por leituras da Bíblia e do Alcorão — destacou a tradição libanesa de convivência religiosa.

“Que cada chamado à oração se una em um único hino”, disse o pontífice, referindo-se tanto aos sinos das igrejas quanto ao adhan muçulmano.

Ele lembrou que o Líbano, historicamente marcado por tensões sectárias, também é um símbolo de convivência possível e um “farol de paz” no Oriente Médio.

País vive momento crítico

A visita ocorre em um período de forte instabilidade para o Líbano, impactado por crises econômicas, disputas políticas e a explosão no porto de Beirute em 2020. Muitos fiéis viram na presença do papa um sinal de esperança.

“Precisávamos desta visita após tantas guerras e dificuldades”, disse o padre Youssef Nasr, secretário-geral das Escolas Católicas do país.

Internamente, o Líbano continua dividido sobre o futuro do Hezbollah, que mantém grande influência militar e política. Apesar do cessar-fogo, Israel segue bombardeando posições do grupo.

Líderes muçulmanos que participaram do encontro inter-religioso pediram que o Vaticano ajude o país a alcançar uma desescalada.

Importância dos cristãos no país

Durante a viagem, Leão XIV também rezou no túmulo de São Charbel Makhlouf, santo venerado por cristãos e muçulmanos. Os cristãos representam cerca de um terço da população libanesa, a maior proporção do Oriente Médio.

O sistema político do país reserva a presidência a um cristão maronita, o que mantém o Líbano como o único país árabe com um chefe de Estado cristão. Para o Vaticano, essa presença é vista como essencial para a preservação da diversidade religiosa na região.

Apesar do êxodo provocado por décadas de conflito, a comunidade cristã libanesa permanece numerosa e ativa, diferentemente de países vizinhos como Iraque e Síria, que viram sua população cristã diminuir drasticamente após a ascensão do Estado Islâmico.

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